Cultura

Álbum reúne Letrux, Liniker, Luedji Luna, Maria Gadú e Xenia França

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Um sono coletivo parece tomar conta da contemporaneidade. E um despertar é neste ano de 2020. Não será um BIP – BIP – BIP de qualquer alarme barulhento o responsável pelo desadormecer necessário, mas, sim, um som muito mais agradável projetado pelas vozes das cantoras Liniker, Letrux, Luedji Luna, Maria Gadu e Xenia França. Juntas, elas lançam o disco Acorda Amor, que tem direção artística de Roberta Martinelli e Décio 7. O trabalho acaba de chegar – pelo Selo Sesc – aos principais aplicativos de música (ouça aqui) e, a partir do dia 31 de janeiro, poderá ser encontrado em versão física nas unidades do Sesc São Paulo.

“Gente Aberta” (Erasmo Carlos e Roberto Carlos), um convite ao amor, foi escolhida a dedo para iniciar o percurso pelas dezoito faixas que compõem Acorda Amor. “O Brasil está letárgico e acredito que não seja possível ‘acordar para o amor’ sem ser amoroso”, pensa Maria Gadú. “O disco traz, em sua maioria, músicas que não são do nosso tempo, mas que estão em vigência”, explica a cantora. Ela se refere a obras como “Sujeito de Sorte” (Belchior), “O Quereres” (Caetano Veloso), “Comportamento Geral” (Gonzaguinha), “A Vida Em Seus Métodos Diz Calma” (Di Melo) e “Extra” (Gilberto Gil), que ajudam a desenhar um repertório de exclamações, além de percorrerem a história da música brasileira.

“É a narrativa do nosso viver, uma maneira de falar por meio da nossa arte que amar é urgente”, diz Xenia França. “Me vem o sentimento de que podemos mudar o mundo com a música”, complementa Luedji Luna. Liniker, por sua vez, ressalta: “é dar nossa voz em formato de resistência”.

Intolerância política e religiosa, homofobia, desigualdade, racismo e feminismo são temas que podem ser encontrados ao longo da audição. Qualquer semelhança com a atualidade, NÃO é mera coincidência. “Queríamos fazer um disco político resgatando a história da música brasileira de várias épocas e trazendo questões que sempre estiveram presentes no Brasil, o que amplia a nossa reflexão sobre o momento”, diz Roberta Martinelli.

“Cansaço” (Douglas Germano) e “Triste, Louca ou Má” (francisco, el hombre) são canções representantes dos anos 2010 pra cá. Um poema inédito do rapper Edgard, intitulado “Sem Preguiça Para Fazer Revolução”, não poderia ser mais certeiro para concluir Acorda Amor. “O resultado é universal, em 2063 esse repertório ainda será atual”, comenta Letrux.

Com produção musical de Décio 7 (Bixiga 70), também responsável pela bateria e programações, o álbum tem os arranjos de base do quinteto, composto ainda pelo baixista Fábio Sá (Gal Costa), o guitarrista Guilherme Held (Rubel), o tecladista Pipo Pegoraro (Xenia França) e o percussionista Rômulo Nardes (Bixiga 70). Tal parceria também se repete quando Acorda Amor vai para os palcos.

Nas palavras do Diretor Regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, as letras fortes e mensagens de amor atuam como provocação ao senso comum: “Insere a obra numa tradição crítica da música popular brasileira. Enfatiza o ‘acordar’, a necessidade urgente de deixar um estado de torpor, ao mesmo tempo em que o vocativo ‘amor’ coroa de afetos esse chamado para o despertar das consciências”.

Ouça aqui Acorda Amor.

 

 

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