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Acabou a gordura

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Muitas pessoas nos perguntam como, e depois de 5 anos, e sem emprego, as famílias resistem. Os profissionais, homens e mulheres, sobrevivem. Em maior ou menor quantidade, mais de 90% dessas pessoas, tinham dois amortecedores para a crise stand-by, e que foram usando, no início, tranquilamente, no meio, preocupadamente, e agora no final, desesperadamente.

O primeiro desses amortecedores era uma certa gordura. Gordura que se traduzia num consumo livre de produtos e serviços. Veio à crise, gradativamente a legião de desempregados foi crescendo, e a primeira providência foi maneirar nos gastos do dia a dia. Com a moderação nos pequenos detalhes conseguiu-se uma sensação de relativa tranquilidade.

Mas o tempo foi passando, a crise se agravando, e as mudanças no consumo aumentando de intensidade. Lá pelo final do segundo ano e início do terceiro a gordura estava praticamente esgotada. Restava, então, a poupança para eventuais viagens, para o estudo dos filhos, e até mesmo para uma possível aposentadoria mais adiante.

Assim, e terminada a gordura começou a se avançar sobre a poupança; Mas, dois anos depois, a poupança aproxima-se rapidamente do fim. Ou a crise conjuntural brasileira termina já, e o país volta a crescer de forma consistente e no mínimo 3% ao ano nos próximos 5 anos para compensar a queda, ou milhões de brasileiros mergulharão de cabeça na miséria. Brasileiros das Classes C. E, e um pouquinho da B.

Em matéria de semanas atrás no Estadão uma fotografia de qualidade que traduz com grande precisão essa desesperadora realidade. De uns meses, ano ou anos para cá, compras só para uso. Os estoques praticamente eliminados das casas de classe C, e uma parte da B. Alguns depoimentos ilustram a dramática situação.

Marlene Braga, 60 anos: “No passado sempre tinha duas dúzias de garrafas de vinho em casa para visitas de última hora, e quantidade semelhante de cervejas. Sabonete, então, tinha para dois ou três meses. Hoje tenho 4 garrafas de vinho, 6 de cervejas, e dois sabonetes. Quando vou ao super faço a reposição…”.

Teodoro Maciel, 49, administrador: “Descobri que dependendo de como você usa alguns produtos podem ter seu preço reduzido pela metade. Com a simples mudança no tamanho do furo que faço na lata de azeite, ao invés de consumir uma lata em um mês, hoje a lata dura dois meses, ou seja, reduzi o preço pela metade… em outros produtos onde não existe essa possibilidade de regular na própria embalagem, passei a me condicionar a usar exatamente a metade ou menos do que costumava usar…”.

Terezinha Peres, 47, professora: “Minha primeira providencia foi deixar o carro na garagem e ir ao supermercado a pé. Com o carro, me sentia a vontade para comprar mais porque não teria que carregar. A pé a situação é outra. No lugar do carro levo uma sacola e o princípio é o mesmo. Antes, com o carro, comprava o que cabia no carro… agora só compro o que cabe na sacola… eliminei os importados das compras, e reduzi as frutas a unidades”.

Unidades que serão consumidas em no máximo 24 48 horas… Depois volto e compro mais, se necessário…

É isso, amigos. Tempos de dores de cabeça, bolsos vazios, gorduras queimadas, poupança acabando, dispensas às moscas, compras a pé, diminuição nos furos das latas, pizzas só nos aniversários. Mais que na hora do Brasil retomar o crescimento.

Estamos vivendo a pior das situações. Quando a crise alcança seu pior e mais dramático estágio. Com a mudança de comportamento e as restrições que as pessoas obrigatoriamente vêm fazendo em suas compras, ingressamos na retroalimentação da crise. Mais ou menos, e além das componentes políticas, o que aconteceu com a Venezuela. E tudo começa na ponta quando nós, consumidores, restringimos e diminuímos as compras, e, por decorrência. O varejo vende menos, e se vende menos, compra menos, e assim a indústria vende menos e produz menos, e pela queda na escala os preços sobem e a onda de desempregados se adensa, e, acelera.

Reage, Brasil!

 

 

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