A volta de Ray Conniff, ou, o resgate da Orchestration

Um dos melhores filmes de Luchino Visconti é O Leopardo. No original, Il Gattopardo.

Baseado numa obra do conde de Lampedusa – Giuseppe Tomasi Di Lampedusa, direção irretocável do mestre Luchino Visconti – com um elenco espetacular incluindo Claudia Cardinale, Alain Delon, e ainda o legendário Burt Lancaster.

A tese do Conde de Lampedusa é a de que muitas vezes é preciso que mude tudo para que tudo permaneça como sempre foi e está.

Há 40 anos, pouco mais, pouco menos, um dia fui convidado para uma apresentação de uma agência de propaganda que naquele momento denominava-se Standard Publicidade. E já pertencente ao grupo Ogilvy.

A razão da coletiva de imprensa era para dizer que tinham concluído não fazer mais sentido manter-se ferramentas de comunicação e marketing separadas, e, por essa razão estavam somando e unindo a agência de publicidade – Standard, com a de promoções – Promo -, e a de RP, a AAB.

E tudo isso devidamente embalado e rebatizado com o inspirador nome de Orchestration.

Semanas atrás, e em coletiva para a imprensa, 4 décadas depois, a mesma empresa anunciou a maior novidade dos últimos tempos e nas palavras de John Selfert, seu novo CEO Global:

“As vésperas de completar 70 anos, a companhia, hoje presente em 83 países com 131 escritórios, e depois de um trabalho de reorganização de 18 meses, junta todas as suas empresas numa estrutura só…”.

“Estamos dando um passo ousado para redefinir nossa empresa e construir um novo modelo para o mercado… a integração de todas as ferramentas e plataformas numa estrutura mais simples vai ajudar a empresa a atender com mais agilidade e melhor seus clientes…”.

Assim, a velha e boa orquestra está de volta, 40 anos depois, apresentada e vendida como se fosse a mais revolucionária dentre todas as novidades.

Como nos ensinou Lampedusa, muitas vezes é preciso reinventar tudo para permanecer-se no mesmíssimo lugar, e ser rigorosamente a mesma coisa.

Pergunta que não quer calar. Era preciso 40 anos para a Ogilvy redescobrir-se, depois de tanto caminhar, no mesmo lugar da partida?

Todos dançando Monlight Serenade, com as vozes e cordas do grande mestre formado pela Juliard School Of Music And Arts, e que adorava o Brasil, Ray Conniff.