A Plateia subiu ao palco

E o palco mais acessível, em todos os sentidos, chama-se rua. Mais da metade dos paulistanos saíram às ruas no início do ano e para dançar. Talvez nenhuma manifestação registre mais a mudança no comportamento das pessoas, em nosso país, leia-se e ouça-se, em NÓS.

Nos últimos três anos milhões de paulistanos saíram às ruas para participar e dançar nos blocos. Com isso, o tradicional desfile das escolas definha. Faltam patrocínios e sobram espaços no mais tradicional desfile de Escolas de Samba do Brasil, o do Rio de Janeiro, e o dinheiro dos patrocínios vai migrando para os blocos.

De duas dúzias de blocos de pouca expressão e baixa adesão de 10 anos atrás, a cada novo ano a Prefeitura da cidade de São Paulo registra mais de 10 a 20 blocos novos.

Pior, ou melhor ainda, o número fornecido de simpatizantes desses blocos e que pretendem desfilar, fornecido pelos blocos à prefeitura nos dias que antecedem o desfile, são multiplicados por 2, 3, 5 e até 10 vezes, surpreendendo a todos e provocando uma bagunça geral e de difícil controle.

Assim, e coroando todo esse processo migratório das pessoas da condição de espectadores e coadjuvantes passivos, para participantes ativos e atores principais, repito, de coadjuvantes medíocres a atores principais, a prefeitura de São Paulo divulgou no final de janeiro que esperava um crescimento de 60% no total dos participantes dos desfiles. Errou… foi mais.

No Carnaval de fevereiro de 2019, mais de 737 desfiles de blocos, contra os 459 de fevereiro de 2018. De 2014 ao Carnaval de 2019, o número de blocos multiplicou-se por 3. Para que se tenha uma vaga ideia da imprevisibilidade do que aconteceu em fevereiro, a estimativa com folgas da prefeitura era de que 4 milhões de paulistanos participariam da folia do carnaval através dos blocos no ano passado, Carnaval de 2018. Errou bisonhamente. Foram 12,3 milhões.

Quem não gosta de barulho, confusão e imprevisibilidade deveria tentar fugir de São Paulo durante toda a semana do Carnaval. Já quem gosta…

E quem tem negócios que se relacionem com esse tipo de comportamento, é dançar, cantar, deitar e rolar de vender.

Quanto riso, Ó, quanta alegria, mais de 15 milhões de pessoas nas ruas da cidade de São Paulo daqui a seis meses…

Quem diria! Dançando…

 

 

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