A bancarização da Mãe Terra

No suplemento Eu & Fim de Semana de Valor do Final de 2017, a matéria principal é um almoço com Alexandre Borges, que naquele segundo semestre, vendeu sua empresa Mãe Terra para a Unilever.

No começo do papo com Vanessa Adachi de Valor, Alexandre vai reconstituindo sua narrativa. Alexandre fez administração na FGV, onde se sentiu desconfortável.

Disse à Vanessa, “Me senti inquieto de estar aprendendo ferramentas para replicar o sistema. Achava que precisava dar um sentido para aquele curso de administração…”.

Mais adiante revela sua motivação: “É um privilégio poder fazer a transformação não numa montanha, num mosteiro, numa praia, numa barraca de coco, mas dentro do sistema… Idealistas não têm o ferramental. Os que dominam as ferramentas não têm o ideal… É possível ter lucro fazendo algum bem pela sociedade e não apenas filantropia”.

E assim nasceu a Mãe Terra, e muitas pessoas mais que acreditar, aderiram de cabeça e alma ao posicionamento de Alexandre e de sua empresa.

Meses atrás, Alexandre recebeu uma boa proposta da Unilever e não resistiu. Vendeu. Durante o almoço entrevista com a Vanessa surge o assunto. E Alexandre revela-se assustado.

Parte dos consumidores dos produtos Mãe Terra reagiram muito mal à venda para uma grande indústria e se manifestou via rede sociais, questionando a perda do compromisso com alimentação saudável e sustentabilidade ambiental.

Diz Alexandre: “Eu não esperava. Sabia que era uma marca querida, mas veio com violência, com uma força, fiquei mal, triste, me senti atingido”.

O que é que o Alexandre queria e esperava?

Que as pessoas o cumprimentassem pela traição?

Pior ainda, criticou publicamente os que acreditaram nele e converteram-se em seguidores de sua casa; ofendeu seus “Angels”.

Reclamou Alexandre, “As pessoas na internet são muito reducionistas, te categorizam, jogam pedras sem entender o todo, as razões…”.

Lamentável! Assim como a XP que mandava ou estimulava os clientes do Itaú, Bradesco, Santander desbancarizarem e acabou se vendendo para o Itaú, a Mãe Terra mandava ou estimulava seus seguidores a fugirem de empresas como a Nestlé, Unilever, Procter, Danone, e acabou deixando-se vender para uma delas, a Unilever.

Apenas isso. Fez o que recomendava a seus seguidores que jamais fizessem. Tudo o mais é choro de novo rico e mau ganhador.

Pessoas que têm um discurso e supostamente uma causa rapidamente descartada diante de uma primeira, boa e lamentável oferta.

Em verdade Alexandre não tinha uma causa. Apenas dizia ter…

MML – Valor, Final De Semana, 27/11/2017, p.

 

 

 

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