TRW

Na primeira ouvida, ou lida, as e letrinhas remetem a um dos mais tradicionais fabricantes de autopeças de todo o mundo.

Originalmente, Thompson Ramo Wooldridge, pela fusão da Thompson Products com a Ramo-Wooldridge, no ano de 1958, e no dia 15 de setembro de 2014, comprada pela ZF da Alemanha pela bagatela de US$ 13,5 bilhões.

Mas a TRW das páginas políticas e policiais do ano passado é outra. É como se denomina aquele que se intitulava até dias antes do escândalo como “um dos maiores escritórios de advocacia do Brasil, Trench Rossi Watanabe; possui uma atuação abrangente e conceituada, com competência em todas as áreas do direito”.

Fundado em 1959, o escritório, diz o texto, “oferece serviços legais para clientes nacionais e internacionais, dos mais diversos mercados, auxiliando-os no gerenciamento de seus negócios de maneira ética e eficiente…”.

Mais ainda, vangloriava-se o Trench Rossi e Watanabe, de sua abrangência e extensões… “Por meio da nossa cooperação estratégica com Baker McKenzie, Trench Rossi Watanabe oferece aos seus clientes acesso a uma perspectiva global por meio de uma das mais amplas e sólidas redes do mercado legal, trabalhando de forma colaborativa com advogados com profundo conhecimento nas mais diversas jurisdições, dando suporte e “insights” à operação de nossos clientes, onde e como necessitarem…”.

E aí, e criminosamente, no primeiro semestre de 2017, cooptou e contratou o outro lado.

O procurador Marcello Miller, braço direito do PGR – Procurador Geral da República, que negociava com os Batistas e com o escritório um acordo de leniência para a J&F. Um movimento desastrado, lamentável, vergonhoso. Objetivamente, um crime, e em meu entendimento, inafiançável.

Não é do escopo deste landmarketing comentar os aspectos políticos da cena nacional.

Mas faz parte da minha vida e de minha empresa de consultoria, por centenas de trabalhos realizados, e ainda mais de 3000 planejamentos, posicionamento, ativação e gestão de marcas, o tema Branding.

E sob esse viés, o do Branding, os novos e irresponsáveis sócios do Trench Rossi Watanabe, jogaram no lixo uma marca construída no correr de décadas.

De onde vai ser difícil ser retirada, limpa e recuperada.

Os sócios e fundadores do escritório, e que emprestam seus nomes ao mesmo, já há algum tempo estão distantes do dia a dia.

Irecê Trench, o mais velho dos três, doente e afastado da lida. Kazuo Watanabe e Carlos Rossi retomaram as rédeas na tentativa de apagar o incêndio.

Missão quase impossível.

Para um escritório de advocacia que confiou seu passado, presente e futuro, a sócios novos e irresponsáveis, que deixaram se tentar por um trambique trágico, grosseiro e vergonhoso.

Advogados que afrontaram a sociedade e a Justiça. Ética zero.

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.

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