Sodexo, o exemplo que faltava

Volta e meia, e diante de minhas críticas contundentes e devastadoras de iniciativas fakes de se induzir inovação nas empresas, as pessoas me perguntam sobre exemplos que estão na direção certa.

Tenho alguns e raros exemplos. Mas, acabo de tropeçar, nas páginas de Época Negócios, com um exemplo mais que emblemático de uma empresa da velha guarda, vencedora, gigante e tradicional, a Sodexo.

Quem conta o que sua empresa vem fazendo no caminho de reinventar-se e preservar-se relevante e competitiva é sua presidente, Andreia Dutra, sendo entrevistada por Carlos Eduardo Moyses do iFOOD.

Sodexo, Multinacional, avaliada em 15 bilhões de euros, 52 anos de existência.

1 – “Não é fácil” – Andreia conta que faz 3 anos que a empresa  mudou seu sistema de gestão. Segundo Andreia, “Fomos educados numa estrutura hierárquica, principalmente no Brasil. Agora trabalhamos com a formação de equipes de Alta Performance. Assim você envolve as pessoas numa cultura de eficácia e desburocratização. As regras de compliance continuam existindo. Precisamos enviar relatórios à matriz. Mas sempre da forma mais simplificada possível. Não existem dois caminhos. Ou você cria muitos controles ou estimula o empreendedorismo. Quando você tem excesso de controle na gestão, não tem accountability por parte de quem faz. As pessoas não se sentem responsáveis…”.

2 – Autonomia – “Autonomia requer clareza e entendimento. Na Sodexo, por exemplo, quando alguém vai desligar uma pessoa que responde diretamente a ela, consulta o RH e seu superior imediato. Não existe o “ah, me demitiu porque não ia com a minha cara”, ou “me demitiu porque tinha medo que eu tomasse sua posição”, ou “me demitiu de inveja pela ideia que dei”.

Mas, e dentre todas as novidades da Sodexo que Andreia Dutra contou maior e melhor de todas foi a solução que a empresa encontrou para que o Velho não contaminasse irremediavelmente o Novo. Como vem acontecendo na grande maioria das empresas que decidem posar de Novas….

Diz Andreia: “Entendemos a inovação em duas frentes: melhoria contínua e melhoria “disruptiva”. Na contínua trabalha-se dentro de áreas já estabelecidas. Já nas “disruptivas” só vingam quando existe cultura de inovação instalada. No sudeste da França contamos com um campus de inovação – o The Camp – onde especialistas cuidam de desenvolver produtos com base nas novas tecnologias…”.

Independente do entusiasmo diante da Sodexo que a Andreia revelou, se não existir pulso forte e determinação total, existe um risco eminente e poderoso do Novo ser contaminado pelo Velho. E a partir daí, todo o investimento vai para o espaço.

Tomara que, e independente das forças contrárias e das tentações, a Sodexo resista e siga em frente em seu processo de reinvenção. Dando continuidade e melhorando o que já existe.

E construindo a Nova Sodexo mediante disrupção ampla, geral e irrestrita.

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