*Por Vivien Mello Suruagy

 

Toda a encenação da Anatel ao ameaçar punir as maiores operadoras de telefonia celular não passou, ao final das contas, de pura pirotecnia – um show de demagogia para mostrar ao consumidor brasileiro que estava agindo em sua defesa. Não estava, como também agora não se mostra disposta a solucionar os reais problemas do setor, conforme se pode comprovar a seguir.

 

Primeiro, a agência oficial não respeita os contratos firmados com as operadoras; depois, faz exigências desnecessárias que encarecem os serviços – aliás, exigências sem critério nem base técnica. E depois impõe essas obrigações sem avaliar sua repercussão no custo final, quando deveria analisar a viabilidade financeira dos contratos das operadoras e prestadoras de serviços. Mas o fato é que a Anatel não tem mão de obra suficiente para analisar, propor e fiscalizar.

 

Não há uma discussão séria sobre o setor, pois a Anatel não escuta nenhum dos envolvidos nos problemas: operadoras, prestadores de serviços, fornecedores e trabalhadores. Falta um grande debate dos reais problemas que envolvem o setor de telecomunicações.

 

O governo deveria estar informado sobre a grave falta de mão de obra qualificada no setor. Mas não faz nenhuma análise estratégica de como treinar e qualificar o pessoal da área. Não há também uma análise planejada das remunerações nas diversas categorias de telecomunicações. Em vez de promover ações pontuais – como, por exemplo, desonerar a construção de redes – deveria reduzir a carga tributária do setor, que varia de 43% a 70% (caso dos equipamentos de grande porte).

 

Por essas e outras razões, a medida de paralisação foi política. Afinal, Governo e Anatel falaram o que todo o mundo está cansado de saber: há problemas na área de telecomunicações. Porém, não estão interessados em solucionar.

 

Há anos o setor reclama do problema de legislação de antenas. E qual foi a solução até agora? A afirmação do ministro de que a operadora que utilizar antena sozinha pagará mais.

 

Enfim, a Anatel causou prejuízos para todos os envolvidos na cadeia de telecomunicações. E assim, de pirotecnia em pirotecnia, o setor de telecomunicações vive em sobressaltos, à espera do próximo coelho que a Anatel vai tirar da cartola. Pois não se consegue planejar nem remunerar adequadamente seus colaboradores e muito menos prestar um serviço a altura do que o consumidor precisa e merece.

 

Nesta desagradável brincadeira do “me engana que eu gosto”, perde o País. Pois a Anatel, por enquanto, apenas tem nas mãos o leme de uma nau desgovernada.

* Vivien Mello Suruagy, engenheira e empresária, é presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Prestação de Serviços em Telecomunicações (Sinstal).

 

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

GT MARKETING E COMUNICAÇÃO

(11) 5053-6100

Giovanna Zanaroli – giovanna.zanaroli@gtmarketing.com.br

 

Comentário

Comentário