Saudades de Feola, ou tudo o que queriam era apenas comprar uma geladeira

A empresa que supostamente estava à venda há mais de um ano e declarou isso em seu balanço, a Via Varejo, leia-se Grupo Casino, convidou a imprensa para mostrar suas novidades.

Muitos atenderam ao convite, e foram conhecer a Loja do Futuro. Dentre os presentes, João Luiz Rosa, do jornal Valor, e que assim descreve parcela do que testemunhou: “Aberta no Shopping Vila Olímpia a nova loja tem 170 metros. É quase seis vezes menor que as unidades tradicionais do PontoFrio que contam, em média, com 1,1 metros quadrados. O número de funcionários também é menor; são  nove frente aos 25 dos pontos comuns.

A equipe atua de modo diferente. O vendedor que atende o cliente fecha a compra no caixa e entrega a mercadoria se o item estiver em estoque. Não há caixas ou estoquistas. Todos são vendedores. Em média o tempo entre pagar e retirar o produto é 35% menor…”.

“No ano passado a Via Varejo contratou 600 profissionais de tecnologia para criar os sistemas necessários, diz Marco Teixeira, diretor de tecnologia. E completa, ‘A equipe de TI praticamente dobrou para perto de 1,3 mil pessoas…’. É essa costura invisível de softwares e equipamentos que formam as fundações exigidas para unir online e off-line…”. Até o final deste ano esse novo procedimento e plataforma tecnológica estarão implantados em cerca de 1.000 lojas.

Os russos, nós, clientes, que tudo o que queríamos era comprar uma geladeira, começamos a ficar assustado e nos perguntando se teremos que fazer um curso para comprar nas lojas PontoFrio e Bahia da Via Varejo…

Mas, a insensatez avança… Entre as novidades disponíveis estão óculos de realidade virtual, com os quais os clientes podem interagir com simulações de cenários montados com objetos à venda na loja. “Com um joystick é possível, por exemplo, abrir as portas do armário da cozinha e conferir como é por dentro um modelo de geladeira ou trocar as cores da bancada…”.

Enquanto isso, e sorrateiramente, descreve João Luiz Rosa de Valor, “O sistema através de um mapa de calor mostra a concentração de pessoas no corredor da loja e indica se elas entram ou não no PontoFrio. A partir daí, sete câmeras com reconhecimento de face identificam sexo e faixa etária e acompanham o público dentro da loja. Nas imagens dos rostos é possível ver o humor dos clientes e classificá-lo em várias gradações entre insatisfeito e muito satisfeito… que acaba se refletindo na remuneração dos vendedores…”.

SOCORRO, QUERO MINHA MÃE! PROVAVELMENTE GRITARÃO OS CLIENTES EM MEIO A ESSE HOSPÍCIO QUE ATÉ PASSADO RECENTE ERA CONHECIDO COMO LOJA.

Mas, não para por aí… Segundo a Via Varejo: “Mais novidades serão acrescentadas em breve, como em um laboratório… Um dos projetos envolve a realidade aumentada, que projeta imagens virtuais sobre cenários reais…”. E finalizam, “A meta, como diria rainha das metas Dilma, é evitar o velho pesadelo de comprar um objeto sem medir ao certo o espaço disponível e depois se decepcionar ao ver que o sonho de consumo atravanca o ambiente…”.

Nesse exato instante duas dezenas de ambulâncias estacionavam em frente a loja do futuro da Via Varejo para resgatar e socorrer os russos sobreviventes. Nós, simples clientes, que tudo o que queríamos era comprar uma geladeira…

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.

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