“Stop. A vida parou ou foi o automóvel?” – Carlos Drummond de Andrade

E parou na subida e os breques não suportam o peso da crise. E assim, a indústria automobilística brasileira que, em 2010, olhava para 2020, e acreditava bater nos 7 milhões de automóveis vendidos, não tem a mais pálida ideia por quanto mais tempo vai voltar para trás e entre mortos e feridos quantos sobreviverão.

Assim começou o ano de um dos mais importantes setores de atividade para a economia de qualquer país, muito especialmente para a do Brasil. Voltando para trás, para trás, muito para trás. Descendo a ladeira e de costas. Mesmo depois de rever para baixo e radicalmente seus números, a ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores –, que acreditava terminar 2016 com uma meta de 2,3 milhões de unidades emplacadas – queda de 7,3% sobre 2015 –, recusa-se a fazer qualquer nova previsão diante da vazante do primeiro mês: uma queda de quase 40% em relação a janeiro do ano anterior. Mais precisamente, 38,8%! O mesmo número de oito anos atrás! Nesse ritmo…

A fórmula mágica dos governos petistas era matadora – em todos os sentidos. Redução de impostos, crédito farto, juros baixos, alongamento do prazo dos financiamentos. Da noite para o dia comprar-se um carro em 72 meses passou a caber no bolso de milhões de famílias brasileiras. E assim aconteceu.

Soprou-se uma bolha de dimensões espetaculares, e produziu-se um Fake Miracle. As pessoas acreditarem na mágica até é compreensível. Mas as montadoras acreditarem e apostarem no que não tinha o menor fundamento, base, sustentação; consistência zero; no que não resistia ao mais medíocre dos raciocínios era, no mínimo, patético; chocante; de causar perplexidade. Mas, assim foi.

Em matéria de IstoÉ Dinheiro, assinada por Carlos Eduardo Valim, a lembrança do ano de 2012, e o sonho de Sergio Habib e da JAC Motors. Vou até o portal e a notícia dada pelo O Globo permanece lá: “JAC Inaugura Pedra Fundamental de Fábrica e Enterra Carro”. No corpo do texto a informação de que “a fábrica entrará em funcionamento no final de 2014, com um investimento de R$ 600 milhões, e a meta de produzir – na primeira etapa – 100 mil unidades por ano”.

Em comemoração a data e ao evento Sergio Habib, o sócio brasileiro, enterrou um modelo J3 no dia 26 de novembro de 2012, e que só seria desenterrado em 26 de novembro de 2032, numa espécie da cápsula do tempo. Muitos dos players do mercado afirmam que naquele momento, e sem o saber, Sergio estava mesmo era enterrando um mega sapo em seus sonhos e projeto.

Janeiro de 2016, a JAC pulou fora do projeto e da parceria com Sergio Habib. E agora, e sem o apoio da montadora chinesa, o projeto foi radicalmente reduzido e a previsão de 2014, saltou para 2017. Ou, segundo muitos, para nunca mais…

Na fotografia de janeiro de 2016, a Mitsubishi registrava vendas negativas – em relação a janeiro de 2015 – de -53,5%; a Ford -53,3; a Fiat -50,2%; a Renault -49,6%; a Volks -49,5%; a Peugeot -44,4%; a BMW -41,1%; a Citroën -39,7: e a GM -38,2%. A fábrica da Honda em Itirapina está concluída, mas não tem data para entrar em operação. A Chery vendeu 5,3 mil carros em 2015, diante de uma meta de 50 mil. E por aí segue a descida de costas ladeira abaixo…

Dos 159,6 mil empregados diretos da indústria automobilística de outubro de 2013, hoje restam 129,4 mil. E desses, 41,9 mil em férias coletivas ou redução no salário.

Isso posto, NUNCA MAIS, eu disse NUNCA MAIS, a indústria automobilística brasileira terá outro momento de euforia, delírio e estupidez semelhante a 2012. NUNCA MAIS essa indústria será a mesma. E o processo rescaldo demandará, no mínimo, os anos que restam desta década.

E todos esses comentários e conclusão referem-se exclusivamente a uma crise conjuntural. Tem outra infinitamente mais grave, de natureza e que se traduz no crescente desapreço das novas gerações pelos automóveis.

Em tempo: em 2016, o mercado despencou ainda mais. 1,7 milhão de unidades vendidas; queda de 20,5% sobre 2015!

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Francisco Madia
Advogado, Diretor Presidente e Sócio do MadiaMundoMarketing e Presidente da Academia Brasileira de Marketing (ABRAMARK).