Os novos velhos

Os novos velhos chegaram.

Em 80 anos ganhamos mais 40 anos de vida, ou seja, multiplicamos, na média e por 2, a nossa permanência por aqui. Dos quarenta e dois anos de 1940, bateremos nos 84 em 2020. Assim, e pela primeira vez, cinco gerações distintas habitam nossas cidades. E também, e pela primeira vez, bisnetos conhecerão e conviverão com seus bisavôs. E dentro das empresas, trabalhando, e no mínimo, três gerações completamente diferentes.

Esse é o grande mercado. E os institutos de pesquisa não param de vasculhar necessidades, desejos, hábitos e comportamentos dos Novos Velhos. Raros os setores de atividade em que as empresas não estejam de olho nessa galerona. E a participação deles nos negócios permanecerá crescente em todos os próximos anos.

Em 2004, 13 anos atrás, e por idade, a população dos velhos saltou de, 7% do total da população para 14,4% – 30 milhões de pessoas.  E até 2060, e segundo o IBGE, esse número representará um terço de toda a população. E o que os institutos vêm sinalizando para as empresas sobre o comportamento dos Novos Velhos, e as imensas oportunidades de negócios existentes.

Renato Meirelles, pilotando sua empresa Locomotiva, e dentre outras revelações, diz, “Independente do cenário de crise, é o único mercado que não para de crescer. Ganham mais que os jovens, e aproveitam-se de todas as vantagens dos empregos formais. E quando se aposentam, têm como garantia a renda que pinga mensalmente”.

O tamanho desse território, já hoje, é descomunal. São 54,2 milhões de pessoas com 50 ou mais anos. Maior, portanto, que a população da Espanha, e o dobro da população da Austrália.

Segundo Renato Meirelles, e em entrevista para Valor, em recente pesquisa realizada pelo Locomotiva com 1.500 pessoas na faixa de 50 ou mais anos, nos 30 dias anteriores 81% fizeram compra em supermercados ou mercadinhos de bairro, 56% nos comércios de rua e 29% compraram em shoppings center. A maioria tem TV de tela plana e um pacote de TV por assinatura. E ainda mantêm uma vida sociável ativa – 68% deles receberam visitas em suas casas nesse período, 29% jantaram fora, e 36% das mulheres frequentaram salão de beleza.

O Novo Velho, muito especialmente em nosso país, passa distantes dos estereótipos de velhos revelados nos comerciais e novelas. Segundo pesquisas realizadas pelo Bradesco Seguros, detestam serem tratados e enquadrados como Terceira Idade. E a maioria afirma que jamais trocaria o momento em que vivem pelo que viveram em suas juventudes.

Especificamente em minha atividade, Consultoria, onde o que conta é a experiência genuína, orgânica e verdadeira decorrente de prática intensiva no correr de, no mínimo, duas décadas, os Novos Velhos estão com tudo.

Hoje estamos capacitando centenas de profissionais para o ofício de consultoria. É possível aparelhá-los e qualificá-los com ferramentas, modelos, práticas, conhecimento. E essa capacitação só floresce e viceja num terreno adubado e rico de experiências e trabalhos. De erros e acertos. De vitórias e derrotas. De anos de vida. O terreno dos velhos. Dos novos velhos!

Caso contrário, sem esse capital inestimável de conhecimento e experiências, e por melhores que sejam as ferramentas, a capacitação não faz o menor sentido. Consultoria é um ofício que requer intensas experiências e práticas profundas.  Diferente do que os camelos apregoam em seus discursos de venda, CONSULTORIA REQUER PRÁTICA E HABILIDADE.

E por isso, e assim, é provavelmente a melhor alternativa e profissão para os Novos Velhos. Pessoas de 40, 50, 60 70 e 80 anos ou mais. Claro, e desde que a cabeça continue íntegra.

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.

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