“Feice” e Google: Juízo!

O primeiro semestre de 2018, foi ocupado, por razões não dignificantes, pelo “Feice” e Google. Envenenando, de forma irreversível, milhões de crianças e adolescentes pelo mundo. Cultura e filosofia trashes, plantadas e disseminadas dia após dia pelos seus milhares de lamentáveis Youtubers, Google. Assim como pela rede social, “Feice”. E a maioria dos youtubers formada de autênticos e verdadeiros beócios.

Quem melhor tratou do tema foi um historiador Andrew Keen. Pensador diferenciado dentre os pensadores do novo ambiente corporativo. Nasceu em Londres em 1960, fez ciências políticas na Universidade de Londres e na Universidade da Califórnia. Autor de quatro livros, dentre esses “O Culto do Amador” o mais conhecido (2009), e ainda “Vertigem Digital” (2012), e o mais recente e comentado, de março deste ano, 2018, “How To Fix The Future”.

Título dos mais instigantes e inspiradores. O que quase todos gostariam, se possível fosse: “Fixar o Futuro, torná-lo previsível”. Em nosso entendimento a única forma possível de fixar o futuro é assumi-lo como líquido indefinidamente, e a partir daí tentar se munir de todos os apetrechos necessários para navegar com um mínimo de conforto e segurança.

Mas, as reflexões de Andrew Keen são porretas. Daquelas que ficam reverberando em nossas cabeças por muitas e muitas horas. E depois voltam com maior intensidade ainda.

No último dia 5 de março a entrevista que concedeu a Silas Martí de NYC foi publicada pela Folha. Li algumas vezes e agora compartilho com vocês três dos pontos principais.

– Inteligência Artificial – “Sempre tendemos a superestimar a velocidade com a qual a tecnologia pode mudar o mundo, mas acredito que nos próximos 15 anos a inteligência artificial vai mudar todas as indústrias e todos os relacionamentos humanos. Vai mudar a maneira em que pensamos sobre nós mesmos quando começar a substituir as pessoas em fábricas, nos fast-foods, ou a trabalhar no lugar dos médicos, advogados e professores… Não chego a dizer que nos tornaremos obsoletos, mas precisamos repensar qual será o nosso papel daí para frente. Aquilo que só os humanos são capazes de fazer”.

– Tecnologia e Donald Trump – “Não foi a tecnologia que levou Donald Trump ao poder. Em verdade, a revolução digital criou outras formas de escassez. Há escassez de confiança e de capacidade de prestar atenção. Confiamos cada vez menos em todas as coisas. Assim, a internet acabou por produzir uma espécie de fetiche em torno de amadores, minando a confiança em especialistas, curadores, profissionais e críticos. Trump é o primeiro presidente da internet. Representa os piores elementos das redes sociais, o narcisismo, a obsessão pelo próprio ego, a inabilidade de ouvir.  Trump é o primeiro presidente antissocial”.

– Redes Sociais – “A histeria em torno das redes sociais já se esgotou. Tornam-se cada vez mais arcaicas e fora de moda. Há dez anos eu era o único a dizer que as redes minavam a credibilidade e a verdade. Prometiam transparência, mas desde então nosso mundo tornou-se mais opaco e desconhecemos o que fazem com nossos dados. As pessoas, e finalmente, já começam a peitar essas empresas. Google e Facebook vão precisar aprender muitas e outras lições com outras indústrias que precisaram se repensar e reinventar para sobreviver. Mais que na hora. A tecnologia é tão mais perigosa quanto maior for nosso amor por ela. E a recíproca mais que verdadeira…”.

Por decorrência, a hora da verdade se aproxima. Google e Facebook precisam urgente, começarem a se explicar e dizer ao que vieram e até onde pretendem ir. Reconhecemos suas virtudes, contribuições inestimáveis, e potencial fantástico. Mas se o preço de ter acesso a todas essas conquistas for a sodomização radical e recorrente tamo mais que fora. E ainda vamos sair na porrada.

Aprendam e saibam ganhar dinheiro dignamente. Escancarem seus princípios éticos – se é que existem -, e, depois, respeitem e pratiquem esses princípios. A corrida absurda para ver quem será o primeiro trilionário do mundo não faz o menor sentido. Acordem, enquanto há tempo e as novas alternativas ainda não se revelam disponíveis. Basta!

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