Empreendedores: Joana e Dudu

Hoje comento com vocês um pequeno “case” de alguém da geração dos 40 anos e que resolveu jogar tudo para cima – por sinal, ela e o marido – e recomeçarem a vida há uns 10 anos atrás.

Joana e Dudu se conheceram quando trabalhavam no marketing da Whirpool(Brastemp). Com perspectiva de carreira pela frente, e batendo nos 30, decidiram voltar aos bancos escolares, juntar as vidas, e foram para Boston.

Dudu para fazer talvez a melhor escolha de empreendedorismo do mundo, o Babson College, e a Joana mergulhou num curso de modas, mais especificamente acessórios, na Boston School Of Fashion And Design.

Na volta, e ainda em Boston, Dudu foi selecionado pela Johnson & Johnson e voltou empregado dando sequência a sua carreira no marketing.

E Joana, caminhou pouco mais de um ano também no marketing, trabalhando no Grupo Bongrain (Polenghi).

Um dia, dirigindo para o trabalho, grávida de quatro meses, parou o carro e disse: definitivamente, não é isso que quero para minha vida. Chegou na empresa e pediu demissão e pensaram que ela estava confusa pela gravidez…

Voltou aos bancos escolares, foi fazer cursos de design de joias, adquirindo todas as qualificações necessárias e suficientes para desenhar e executar joias. E converteu-se numa designer de joias de qualidade e sucesso.

Mas faltava a USP – Unique Selling Proposition – faltava o diferencial competitivo, o princípio ativo, o posicionamento. E refletindo sobre como é o processo de criação, realização e vendas de joias entendeu existir um grande abismo entre quem cria faz e vende, e quem compra.

Pessoas passam em joalherias, ou recebem as visitas de designers, com um mostruário, acabam gostando de uma ou outra e comprando. Mas nesse processo falta a alma, a emoção, propósito, sentido.

E assim concluiu ter chegado a hora de trazer uma proposta de mudança significativa nos formatos tradicionais e que se referiam a um mundo que se despedia. Concluiu não fazer mais sentido criar joias desvinculadas de seus futuros compradores, donos.

Inovou mergulhando em um novo território e criando uma espécie de processo Sharing Jewel. Joias por cocriação, criação compartilhada, entre o cliente e o designer.

Só que para adotar esse novo caminho e metodologia não se sentiu o suficientemente preparada para entender verdadeiramente as motivações das pessoas em busca de um significado para a joia que pretendem adquirir, considerando suas características, motivações, sonhos, desejos, personalidade.

E voltou pela terceira vez na busca de capacitação convertendo-se, também, depois de muitos treinamentos, processos, cursos, em Coach. Dentre outros, credenciando-se em Coaching Ontológico pela Newfield Network School.

Hoje, todo o processo de criação das joias, suporta-se em técnicas de coaching, com a participação por igual de cada cliente na cocriação e execução da joia que carregará consigo pela vida, como um emblema, escudo, talismã, energia, força, complemento de beleza e sentido, de valor inestimável, único, exclusivo e absolutamente personalizado.

Assim, oferece um serviço exclusivo e único, para um novo consumidor que deseja com todas as forças ser protagonista de suas decisões e sonhos.

O Dudu, por seu lado, com uma perspectiva de carreira extraordinária na Johnson & Johnson, também decidiu jogar tudo pra cima, juntar sua competência empreendedora, seu pegada de marketing, e sua preocupação permanente na valorização e qualificação do capital humano, e hoje presta serviços para algumas das principais empresas do país, e ainda criou com outros profissionais a Rede Ubuntu de Eupreendedorismo.

Duas lições, de Joana e Dudu, os dois entrando nos 40, ensanduichados entre os baby boomers – 60 e mais anos, e os millenials chegando agora nas empresas, e decidindo abrir mão de carreiras e supostos confortos e cair na real.

Correr atrás dos sonhos, buscar o prazer da realização e da felicidade, abrir mão de supostas carreiras seguras com direito a bônus e mordomias.  E recomeçar, de novo.

Joana e Dudu, e milhões de quarentinhas que foram pegos pela disrupção e pelo nascimento do Admirável Mundo Novo.

E têm de decidir entre seguir na corrente e quem sabe um dia presidirem uma corporação, devidamente recompensados financeiramente, mas com um terceiro tempo – agora todos temos terceiros tempos – de tédio, infelicidade, insegurança, depressão.

Se eu fosse você, querido amigo e profissional que me acompanha, na faixa dos 40, e que se encontra nesse dilema, consideraria fazer o que a Joana e o Dudu fizeram. Empreenda! Sempre é tempo.

E, em fazendo, também persiga um propósito inovador, consistente, e relevante para todas as demais pessoas no que você pretende fazer, prestar, empreender.

Um business, assim como as melhores e mais eficazes medicações, com um princípio ativo de excepcional qualidade.

FRANCISCO MADIA, ESPECIAL PARA O MMM (952).

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