Cerveja e Vinho? Nãããooo!

Era uma vez o mais emblemático, inovador, competente, e líder Clube de Vinhos do Brasil. O Wine. E por razões que a própria razão desconhece e o bom senso e a sensibilidade não recomendam em hipótese alguma, decidiu misturar Cerveja com Vinho.

Lembra, Jackson do Pandeiro, “eu só boto bebop no meu samba quando o tio Sam tocar um tamborim…?” Como assim? Madia, quem bebe vinho em determinadas horas, circunstâncias e ocasiões, não pode beber cerveja em outras horas, circunstâncias e ocasião?

Claro que pode. Mas dentro do conceito de público, do expertise, do posicionamento de autoridade e competência, jamais, eu disse jamais. Quem Pilota e Faz a Curadoria de um clube de Vinhos, jamais pode, e em hipótese alguma deve fazer a Pilotagem e Curadoria de um clube de cervejas.

Pode até usar a mesma estrutura física, de logística, e tudo mais, mas, em hipótese alguma, sob qualquer pretexto, essa contaminação, essa promiscuidade pode chegar às pessoas.

Ainda que seja uma mesma pessoa. Que gosta de cerveja e que gosta de vinho. Mas que em sua cabeça e coração não mistura em hipótese alguma as duas competências.

Assim, já fora um erro descomunal a Wine ter usado o W para seu clube de cerveja, o Wbeer. E aí entrou a Península como sócio, leia-se Abilio Diniz, e o negócio colocou de lado mística, narrativa, e tudo o mais que garantiu fama e fortuna ao Wine, e a palavra de ordem passou a ser abocanhar o mercado a qualquer preço e monetizar ao máximo.

Foda-se a Marca. Ou, fodam-se as Marcas! E assim, e numa semana do ano passado, deu em Valor… “A wine.com.br, empresa de comércio online de bebida e dona da wbeer.com.br, fechou nesta semana acordo para adquirir 100% do Clubeer…”.

Desgraçadamente, o vírus da ganância e da irresponsabilidade social contaminou… Rogério Salume com sua Wine tinha décadas e décadas pela frente, para mergulhar cada vez mais fundo e se apropriar com competência e qualidade no e do território do vinho.

Que ele, com sua Wine, e antes de completar 10 anos, e a partir de uma casinha em Vila Velha, Espírito Santo, contribuiu magnificamente para que se multiplicasse algumas vezes.

Fez mais pelo negócio de vinhos em nosso país que a maioria dos produtores e distribuidores no correr de muitas décadas. E aí, derrapou, degenerou e mergulhou seu negócio emblemático e vencedor numa gororoba precária, tosca, lamentável, intragável.

Eu sempre acreditei, pelo conteúdo e narrativas de sua revista, da revista do Wine, que Salume estivesse no negócio por paixão.

Não era.

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.

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