Iniciativa da agência BETC São Paulo, Woman Interrupted contabiliza interrupções em prol do empoderamento feminino e da conscientização masculina (fotos: divulgação)

No último ano, muito se falou sobre o fenômeno Manterrupting, um dos tipos de violência contra a mulher, considerado um comportamento machista, que se caracteriza justamente quando ela não consegue concluir sua fala por ser desnecessariamente interrompida por um homem. O tema efervesceu principalmente no período das eleições norte-americanas, quando Donald Trump interrompeu Hillary Clinton por 51 vezes, durante o primeiro debate entre os candidatos.

Inspirada nessa discussão, a agência BETC São Paulo idealizou o aplicativo Woman Interrupted, uma plataforma que contabiliza quantas vezes um homem interrompe a fala feminina. Sem fins lucrativos, a novidade será lançada durante a semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher.

O objetivo do Woman Interrupted App é ampliar o debate em torno do Manterrupting. A novidade também visa a conscientização do público masculino, que muitas vezes não reconhece o comportamento. Em 2014, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade George Washington (EUA), publicado no Journal of Language and Social Psychology, apontou que as mulheres são significantemente mais interrompidas do que os homens. Esse fenômeno é interpretado como uma das manifestações do desequilíbrio de gêneros.

“À primeira vista, pode parecer um problema pequeno, mas que reflete questões mais profundas da desigualdade de gênero no trabalho e na sociedade. O aplicativo é uma forma de mostrarmos que, na verdade, a interrupção é real e alarmante”, comenta Gal Barradas, sócia-Fundadora e Co-CEO da BETC São Paulo e única representante no ranking dos dez publicitários mais admirados por empresas anunciantes, segundo o estudo Agency Scope, da Scopen (ex-Grupo Consultores).

Apesar de poder ser utilizado em qualquer ambiente, o Woman Interrupted foi criado pela agência pautado no mercado de trabalho, para uso em apresentações e reuniões profissionais. Para utilizá-lo, basta fazer o download gratuito nos sistemas Android e IOS e começar a usar em um dos quatro idiomas disponíveis – português, inglês, espanhol ou francês.

aplicativo woman interrupted agência BETC São Paulo Manterrupting

Para identificar as interrupções com maior precisão, a plataforma solicita que o usuário calibre e registre sua voz. O app aproveita o microfone do celular para analisar conversas e detectar o número de interrupções durante o período em que estiver ativado. Com a voz do usuário como parâmetro e a diferença na frequência de voz masculina e feminina, sua tecnologia permite identificar em que momentos a usuária foi interrompida por um homem ou, no caso de um usuário masculino, em quais momentos ele interrompeu uma mulher. O Woman Interrupted faz análises em tempo real e transforma as interrupções em dados. Nenhuma conversa fica registrada no aplicativo, apenas o número de interrupções, duração e data. 

A médio prazo, a BETC prevê o lançamento de um Dashboard Global que apresentará um overview dos dados coletados ao redor do mundo, em tempo real. Aberta a quem quiser saber mais sobre o tema, nessa plataforma poderão ser encontradas informações como número de interrupções por minuto e por país, além de comparativos entre regiões e faixa etária, por exemplo.

De acordo com Gal Barradas, o Manterrupting desvaloriza a participação feminina em reuniões e apresentações. “Nós, mulheres, lutamos diariamente para conseguirmos nosso espaço no mercado e o direito de nos expressar. Quando chegamos lá, o Manterrupting faz reduzir nossa participação”, explica. “Queremos que os homens se perguntem: será que estou fazendo isso sem perceber? Afinal, do que adianta ter mais mulheres em uma sala de reunião se ninguém escuta o que elas têm a dizer?”, completa.

Idealizadora da plataforma, a BETC é uma agência que tem a igualdade de gênero em seu DNA. Tanto a presidência da rede quanto a de seus escritórios pelo mundo – Paris, Londres e São Paulo – são co-lideradas por um homem e uma mulher, desde sua fundação. Na agência paulistana, por exemplo, o board executivo é divido igualitariamente entre homens e mulheres, bem como não há distinção salarial por gêneros que ocupam o mesmo cargo, realidade ainda pouco encontrada no mercado de trabalho brasileiro ou global.

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