Ana Botín, a exceção

Ana, 57 é a toda poderosa do Banco Santander. A exceção. A única CEO Global de uma dentre as grandes instituições financeiras de todo o mundo.

Meses atrás fez um tour pelo Brasil. Em dois dias, muitos lugares. E um grande encontro com 1.000 mulheres integrantes do Grupo Mulheres do Brasil, presidido por Luiza Trajano.

Ingressa no palco. Vanessa Adachi do jornal Valor Econômico registra o comentário de uma das participantes: “Olha a cinturinha dessa mulher”. Ana Botín, em excelente forma física, num tubinho azul marinho na altura do joelho.

Em segundos todas as presentes magnetizadas: por seu sorriso, pela fala clara e elegante, e por sua franqueza. Accountability 10 já na partida e específica com aquele público. Um evento exclusivamente para mulheres. Com e no máximo 10 exceções. O presidente do banco, Sergio Rial, mais o vp Marcos Madureira, e técnicos e outros profissionais da organização do evento.

Ana disse que sua organização persegue incansavelmente a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, mas a realidade luta contra. Disse “O Santander tem hoje um quadro onde prevalecem as mulheres: 60%. Mas, as mulheres concentram-se nos postos mais baixos. A boa notícia – diz ela – é que hoje o Santander já tem 40% de suas diretorias de rede ocupadas por mulheres”.

Fala sobre o desafio da maternidade, “Há um imposto sobre a maternidade e precisamos mudar isso. Há mulheres que não querem voltar ao trabalho, querem cuidar dos filhos. Perfeito. Mas, para as que querem voltar, temos que lhes dar oportunidade. E às vezes não fazemos isso…”.

Fala com carinho de seu pai e grande líder da organização, Don Emilio, que morreu em 2014, e do seu modo antigo e conservador de ver as mulheres.

Ana fez um aplication para a Universidade de Harvard e foi aceita. Seu pai, Don Emilio, recusou-se a mandar a filha para lá sobre a alegação que Harvard era uma universidade de homens… Assim graduou-se pela Bryn Mawr, Pensilvânia – universidade exclusiva para mulheres.

E emendou, valorizando a presença de sua mãe: “A pessoa mais importante para mim foi minha mãe e não meu pai. Meu pai foi importante na parte profissional. Eu sou de uma pequena cidade do norte da Espanha e minha mãe sempre se preocupou com a educação e nos mandou estudar em diferentes lugares”.

Ana estudou na França, Inglaterra e Estados Unidos. Nos últimos anos o Santander correu para apagar dois incêndios em sua imagem. O segundo e mais recente “quando a exposição patrocinada pelo banco no Museu Santander de Porto Alegre, a Queermuseu” foi cancelada por protestos e ataques nas redes sociais sob a alegação que a exposição incentivava a pedofilia e atentava contra os bons costumes…

O primeiro quando o Santander, por determinação de Don Emilio, na época vivo e amigo de Lula, demitiu a analista Sinara Polycarpo Figueiredo, superintendente de investimentos do banco, por uma carta enviada aos clientes de alta renda do banco, alertando sobre a piora do quadro econômico do país diante de uma eventual eleição de Dilma Rousseff. Naquele momento Lula, indignado, disse: “Essa moça não entende porra nenhuma do Brasil e do governo Dilma. Manter uma mulher dessas num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar ela embora e dar o bônus dela para mim”.

Sinara estava absolutamente certa. E foi comedida em sua análise. Não imaginava o tamanho da merda em que Dilma lançaria, por incompetência e burrice, a economia de nosso país. Meses depois Sinara foi indenizada pelo Santander.

Não obstante os dois incêndios, a presença de uma mulher no comando, e o fato dessa mulher, Ana Botín ser elegante, bonita, cordial, sedutora, fez com que nenhuma das presentes se lembrassem dos incêndios.

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.

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