“O mundo não é humano só por ser feito de seres humanos, nem se torna assim somente porque a voz humana nele ressoa, mas apenas quando se transforma em objeto do discurso… Nós humanizamos o que se passa no mundo e em nós mesmo apenas falando sobre isso, e no curso desse ato aprendemos a ser humanos. Esse humanitarismo a que se chega no discurso da amizade era chamado pelos gregos de filantropia, o ‘amor do homem’, já que se manifesta na presteza em compartilhar o mundo com outros homens”

Palavras de Hannah Arendt, uma filósofa que proferiu essas palavras sobre o que é a comunicação para o ser humano. E é disso que se trata essa obra do polonês Zygmunt Bauman, que fala das relações mais simples entre dois indivíduos até as mais complexas envolvendo o ser humano e o planeta.

Nas primeiras páginas, Bauman se concentra nas relações amorosa, conta sobre as dificuldades naturais para se conviver com alguém e expõe as novas armadilhas que a sociedade moderna tem que encarar para que seus relacionamentos amorosos perdurem.

Nesse contexto são trabalhados dois pontos principais: a era digital e as novas formas de relação. Bauman destrincha a era das mensagens instantâneas e o que isso muda em nossas mentes; pode causar impactos irreversíveis e gerar mudanças de comportamento. Da mesma forma como apresenta novas maneiras de se relacionar, citando, por exemplo, os casais que não vivem juntos ou nem precisam necessariamente ter o compromisso da fidelidade.

Instigue sua curiosidade e veja o vídeo no qual Bauman comenta sobre “amizades de Facebook”.

Mas, mesmo esse assunto sendo complexo, e ele consegue mergulhar fundo nesse mundo, o livro não termina aí.

Ao criar um patamar mais abrangente de observação, Zigmunt Bauman amplifica a análise e nos apresenta nossas relações com bairros, comunidades, cidades, países e nações, discutindo como nós damos mais importância para as divisões geográficas do que para as ideologias, crenças ou diferenças que temos.

Por fim, ao mostrar todo seu lado de sociólogo, Zigmunt Bauman fala sobre as questões dos refugiados. Mostrando que, em 2004, ano em que o livro foi escrito, ele já previa todas essas atrocidades que estão ocorrendo nos dias de hoje; seja na Europa, África ou nas Américas. Destrincha a sociedade doente que estamos mantendo e nos mostra as oportunidades que estamos perdendo, principalmente ao não valorizar a força que é poder se comunicar com o mundo inteiro. Vivenciando apenas o lado ruim de uma sociedade líquida.

ADENDO: É válido deixar uma mensagem final para esse texto, resumindo a ideia que o livro quer passar:

“O fato de outros discordarem de nós (não prezarem o que prezamos, e prezarem justamente o contrário; acreditarem que o convívio humano possa beneficiar-se de regras diferentes daquelas que consideramos superiores; acima de tudo, duvidarem de que temos acesso a uma linha direta com a verdade absoluta, e também de que sabemos com certeza onde uma discussão deve terminar antes mesmo de ter começado), isso não é um obstáculo no caminho que conduz à comunidade humana. Mas a convicção de que nossas opiniões são toda a verdade, nada além da verdade e, sobretudo a única verdade existente, assim como nossa crença de que as verdades dos outros, se diferentes da nossa, são “meras opiniões”, esse sim é um obstáculo”.

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Formado em publicidade e propaganda, pós-graduado em marketing, integrante do Núcleo de Produção e Conteúdo do MadiaMundoMarketing, viciado em novas tecnologias e tendências no ambiente digital.