“Gostaria de ser cremado. 10% das minhas cinzas deverão ser enviadas ao meu agente, conforme reza o contrato”.
GROUCHO MARX
Ela está agora aqui, na minha frente, e nua. Tal como foi concebida em meados dos anos 60.
Sua morte já foi anunciada inúmeras vezes. Milhares de exemplares foram para o lixo assim que as meninas ingressavam na adolescência e procuravam se desfazer dos traços do passado. Mas outros muitos milhares foram guardados, e hoje são objetos de coleção super valorizados. E acaba de completar 50 anos!
Todas as empresas, de todos os setores de atividades, nas mesas de seus principais executivos de marketing, deveriam ter um exemplar dela, para que refletissem, permanentemente, sobre seu exemplo. E aprendessem a respeitar mais seus produtos.
Entendendo que todos os produtos, uma vez expostos ao mercado, passam a ter vida própria. E, por decorrência, a maior virtude é respeitar a vitalidade que esses produtos possuem, e criar todas as condições para que essa força interna se transforme em participação de mercado crescente, e mais lucros para as empresas.
É recorrente nas empresas a presença de “Barbiecidas”. Um tipo de executivo que habita em proporções assustadoras o território do marketing, e que nunca refletiu sobre lições primorosas oferecidas por uma LEGO, por um CREME DE LEITE NESTLÉ, por uma CRAYOLA, e por uma boneca chamada BARBIE, agora olhando para mim, encostada na tela do meu computador, e que se não estou enganado, acaba de piscar os olhos e sorrir. Tudo o que esses executivos querem é deixar a sua marca ainda que para isso tenham que detonar marcas consagradas que as empresas levaram décadas para construir.
Em 1987, JOHN AMERMAN assumiu o comando da MATTEL INC. para tentar salvar a empresa, que vinha de uma série de equívocos, e que também havia cometido o mesmo pecado da ESTRELA no Brasil. O de supor que estava no mercado de brinquedos convencionais, e não no mercado de entretenimento, desconsiderando o impacto das novas tecnologias no comportamento de crianças e adolescentes.
Naquele ano, a MATTEL tinha faturado US$ 1 bilhão, perdido US$ 113 milhões, e suas ações bateram no fundo do poço – US$ 5,00, cada.
Ao analisar o retrospecto da empresa, e analisar o desempenho de diferentes produtos, saltou aos olhos de AMERMAN que uma vez mais, aquela boneca, como em vezes anteriores, poderia tirar a empresa do buraco.
E ao contrário de seus antecessores, fez com que a companhia voltasse a respeitar a incomum vitalidade e maior carisma de BARBIE. Mais que isso, criou todas as condições para que esse fantástico potencial se transformasse em realidade.
6 anos depois, 1993, BARBIE voltou a brilhar como nunca, carregando consigo a MATTEL. O faturamento da empresa saltou para US$ 2,7 bilhões, sendo que a DIVISÃO BARBIE – desde então uma divisão de produtos e licenciamentos – foi responsável por US$ 1 bilhão. E os lucros se situaram em US$ 226 milhões, saltando suas ações, naquele momento, para US$ 27,00. Recentemente a boneca completou seus primeiros 50 anos; esbanjando saúde e prosperidade.
Você não acha que está mais que na hora de olhar para seus produtos e marcas, com o mesmo carinho, respeito e paixão que AMERMAN um dia dedicou a BARBIE?
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Pingback por Tweets that mention Barbiecídio « Portal Inteligemcia – Hoje, a praça do marketing no Brasil; amanhã, no mundo. -- Topsy.com — 27 de julho de 2010 @ 12:44