“Não me ajeito com padres, críticos e canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta”.
MARIO QUINTANA
Com o prevalecimento das redes sociais, os críticos de todos os gêneros caem em desgraça e perdem seus empregos. Agora as pessoas recorrem, através das redes sociais, às pessoas que se assemelham a elas. Se essas pessoas gostaram do filme, do show, do restaurante, do livro, elas também e muito provavelmente vão gostar. Já se o crítico gostou ou não gostou o papo é outro. Isso posto, e muito rapidamente, adeus críticos profissionais!
Em verdade, os críticos mais aborreciam que orientavam. Em todos os tempos. CESARE PAVESE, lá atrás, já dizia que “todo o crítico é exatamente como uma mulher na idade crítica: rancoroso e reprimido”. Não sei se as mulheres são, mas, os críticos, são mesmo. E ANTOINE PRÉVOST desancava. Com elegância: “Não é necessário que um autor compreenda o que escreve. Os críticos encarregar-se-ão de lhe explicar”.
Um exemplo? Um dos últimos shows gravados de RAY CHARLES, no ano de 2000, em Paris, “LIVE AT THE OLYMPIA”.
Na FOLHA DE S.PAULO o crítico assim se manifesta – “TECLADO VULGARIZA OBRA DE RAY CHARLES EM SHOW DE IMPROVISO”. Já as pessoas comuns registram, “Mesmo só com um teclado, sem apoio dos vocais, e em condições excepcionais onde tudo poderia dar errado, RAY CHARLES documenta sua genialidade e maestria”.
Na FOLHA o crítico massacra, “Não culpe RAY CHARLES pelo engodo. O músico fez tudo o que esteve ao seu alcance para chegar a tempo no OLYMPIA naquela noite. Em tour pela Europa, RAY, a orquestra e as indispensáveis THE RAELETTES, grupo responsável pelos backing vocals da banda desde os anos 1950, foram surpreendidos com uma greve no aeroporto de Lisboa. A paralisação atingia exatamente a companhia aérea que deveria conduzir toda a comitiva de RAY até Paris… no OLYMPIA o show beirou ao nonsense. Em um palco enorme, RAY assumiu o primeiro plano com o YAMAHA deixando na cozinha o trio de músicos… os efeitos especiais do teclado, sem a proteção dos demais instrumentos da orquestra, vulgarizaram canções como GEORGIA ON MY MIND, ANGELINA, HEY, GIRL…”.
No coração as pessoas se emocionam e vibram. “Só uma pessoa com a garra e o talento de RAY CHARLES poderia correr todos esses riscos e demonstrar sua genialidade. GRAÇAS A DEUS tudo ficou preso em LISBOA. Assim tivemos uma oportunidade única de ouvir, ainda que por uma única vez, RAY SÓ. Ele e seu teclado, e sua voz, e seu talento, e seu carisma, e sua competência…”.
Adeus críticos; já vão tarde!
Enquanto isso, aqui no MADIAMUNDOMARKETING coloco o DVD mais uma vez no telão: “I´ve been so many places in my life and time / I´ve sung a lot of songs and I´ve made some bad climbs / I´ve acted out my life in stages with tem thousand people watching / Oh, but we´re alone now and I´m singing this song for you…”
THANKS, RAY!


Madia, esse texto resume muito bem as minhas escolhas há alguns anos. Assisti filmes incríveis, conheci bandas fantásticas e fui a shows encantadores porque alguém, em algum lugar desse mundo, postou considerações muito próximas às minhas. E a partir de então, tornou minha referência para algumas outras escolhas.
A imparcialidade maquiada da crítica profissionalizada perde muito para a tendenciosidade de quem só diz o que sente, defende o que gosta, e faz isso apenas porque quer compartilhar seus gostos e histórias!
Thanks, Madia!