INOVAÇÃO EM TEMPOS LÍQUIDOS     

3 de fevereiro de 2010

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Após a Sociedade do hiperconsumo cunhada pelo professor de Filosofia Gilles Lipovetski, o que virá? Vivemos em tempos líquidos como explora Zygmunt Bauman, filósofo polonês, que provoca nosso pensar sobre a fragilidade e superficialidade em todos os aspectos do mundo moderno. Tudo se molda mais rapidamente. Inovar em tempos líquidos é possível?


Nada mais é permanente. Necessidades humanas que se alteram diariamente. As informações chegam com velocidade que mal conseguimos alcançar.

Uma dissonância cognitiva nas pessoas dificultando nosso entendimento sobre comportamento. Por um lado queremos a velocidade, queremos todas as novidades que a tecnologia nos oferece e somos expostos a mais de sete estímulos diários de tal forma que é impossível gerenciar tudo em nossas vidas.

Instala-se uma fadiga pelo excesso ofertas, de inovações e de estímulos. Não é mais possível nos aprofundarmos nas essências das situações.

Estamos fragmentados em nossas necessidades e queremos a inovação customizada, quando não exclusiva para um determinado momento. Essa customização de necessidades cresce dia-a-dia, e somos mais exigentes.

Com necessidades tão fragmentadas criamos uma demanda incerta com possibilidades infinitas de escolha. Para a indústria que necessita inovar, há mais geração de custos e uma possibilidade de gerar confusão com novos produtos e serviços que as pessoas não necessitam.

Paralelamente, há a pressão tecnológica nos arrebatando com a obsolescência planejada cada vez mais rápida. Vivemos momentos tecnológicos turbulentos. E uma onda de regulamentação ambiental, ainda burocrática, mas prioritária, para sobrevivência futura deste planeta, mas que gera novos custos internos.

O consumidor de hoje tem muita pressa para tudo e o tempo é o fator mais caro para ele – o dia só tem 24 horas e ele muita coisa para fazer. É o que podemos denominar de “consumidor líquido” e que procura os recursos necessários para facilitar a sua vida.  A inovação de hoje deve solucionar muitas destas necessidades.

Para inovar em tempos líquidos será necessário entender profundamente o comportamento destas pessoas. E principalmente simplificar a vida delas com o recurso mais escasso nos dias de hoje: TEMPO.

Numa era caótica a inovação, os gestores das empresas devem ter como “drive” uma maior capacidade de correr risco. Planejar é importante, mas com muita tolerância em errar e tentar mais vezes. Temos que ser mais “betas” para testar na própria experiência qualquer tipo de sucesso de inovação.

Ao lançar um novo olhar à inovação é importante colocar seus parceiros, colaboradores, fornecedores, juntos para conversar e entender os “gargalos”, os problemas de cada área e conseqüentemente suas soluções.

A empresa que quer inovar terá que criar sua própria metodologia e ter uma voz própria para fazer a diferença na vida das pessoas, colaboradores, parceiros, fornecedores. Criar relevância nas reais necessidades será uma prioridade.

O consumidor apressado não tem tempo e estará cada vez mais exigente em relação as suas compras e marcas, por um lado sempre ávido por novidades, mas sempre disposto a trocar de marcas e produtos que não atendam suas expectativas e que não simplifiquem seu dia-a-dia.

A inovação nestes tempos deve resolver qualquer que seja o problema: desde incrementar o lucro da empresa, integrar negócios numa mesma empresa, redefinir um modelo de negócio e até reposicionar uma marca tradicional.

A inovação será de fato a que gerar valor para o negócio e resolva um problema ainda não resolvido. Em tempos líquidos é necessário:

-Conhecer muito bem o consumidor que você deseja impactar

Entendendo as suas reais necessidades, seus motivadores e discriminadores de experiência de compra

-Lidar com frustração e aprender a verdadeira razão da palavra resiliência

-Ser rápido nas decisões, a economia de tempo será o seu maior aliado

-Sintonizar-se com tudo que está ao seu redor em termos de tendências e sinais periféricos do que vem por aí. Antecipar-se as necessidades das pessoas é uma vantagem competitiva

-Gerar relevância para as pessoas. Inovação sem relevância está fadada ao insucesso

-Buscar incansavelmente o fator WOW-gerando maior poder de atratividade, surpreendendo positivamente

-Introduzir a co-criação na empresa através de redes de inovação com participação ativa do consumidor, consultores externos e parceiros. Eles trarão novos “insights” através de reais problemas do dia-a-dia e com uma visão mais aberta para inovar.

O liquido não tem forma, ele se adapta, não fixa no tempo e tem facilidade de adaptação. Esta é a analogia com a Inovação nos dias de hoje. Ela deve ser moldada a necessidade individual da empresa e das pessoas.

MARTHA TERENZZO

GESTORA DE INOVAÇÃO E BUSINESS

MSN martha.terenzzo@hotmail.com

Linkedin martha.terenzzo@uol.com.br

Twitter @marthaterenzzo9

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Biografia

Atua como Diretora de Marketing e Inovação na Power4-empresa de marketing promocional e eventos, presta consultoria em Inovação para empresas de consumo. É Vice Presidente do Núcleo de Pesquisa do POPAI-Retail Association. Experiência de mais de 20 anos na área de Marketing, coordenou projetos de grande porte em empresas como: Cargill, Sadia, Parmalat, Bombril, União, Reckitt & Benckiser, Melhoramentos de Papéis, Seara e Ajinomoto. Implementou áreas de Marketing de alta performance nas empresas, planejou arquitetura de marcas, implementou gerenciamento de portfólio, lançou mais de 300 itens de consumo. Estabeleceu processos e metodologia específica de Marketing com Gestão em Inovação, Comportamento do consumidor e negócios. Participou de diversos Workshops Internacionais nos Estados Unidos, Japão, Tailândia e Itália, a convite destas empresas. Formada em Marketing pela ESPM e com pós-graduação em Administração na Fundação Álvares Penteado. Tem formação em Liderança pela Fundação Dom Cabral e participou do “Fronteiras do Management” de 2008. Já auxiliou como consultora de negócios em empresas de comunicação como Dentsu,Euro/RSCG.