* Alexandre Bortoletto
“Olhe para o pêndulo à sua frente. Relaxe. Você está ficando com sono, muito sono… suas pálpebras estão ficando pesadas… você não consegue ficar com os olhos abertos, está prestes a mergulhar em um sono pesado”. Quem nunca ouviu que essas frases são um roteiro infalível para hipnotizar alguém?
Até hoje ainda há muito preconceito relacionado à hipnose. Isso porque as pessoas associam essa técnica a uma espécie de show de mágica em que a plateia é induzida a fazer o que não quer, como comer uma cebola achando que é uma maçã ou cacarejar como uma galinha e, em seguida, não lembrar de nada disso.
Mas a hipnose é muito mais, e há outras formas de aplicá-la.
O transe hipnótico nada mais é que um estado alterado de consciência. Entramos em transe várias vezes por dia. Sabe quando dirigimos até determinado local e, ao chegar lá, não lembramos que caminho fizemos? Ou quando estamos ouvindo música, o cd acaba e só percebemos o silêncio vários minutos depois? Se você está lendo esse artigo e não percebe os ruídos à sua volta, está em transe agora.
Nos modelos antigos de hipnose havia uma relação de dominação entre hipnotizador e hipnotizado: o terapeuta tinha poder sobre o paciente e dava “ordens” relativas a como ele devia se comportar.
Já a hipnose moderna, também chamada de ericksoniana (em função do trabalho desenvolvidopelo psiquiatra norte-americano Milton Erickson), é uma ferramenta principalmente linguística, uma forma ampliada de comunicação.
Nessa visão contemporânea é possível levar ao transe apenas conversando. Não é necessário olhar para pêndulos e nem mesmo fechar os olhos para isso. O terapeuta pode usar linguagem de influência para dar sugestões benéficas ao paciente. Ele não é forçado afazer o que não quer, apenas ouvirá novas formas de lidar com seu problema de uma forma mais receptiva.
A nova abordagem da hipnose promove um alinhamento, um equilíbrio entre o consciente e o inconsciente, ou seja, aquilo que pensamos (e sabemos que pensamos) e o queacontece quando estamos “no automático”.
A técnica pode ser usada por diferentes profissionais em vários contextos. Um médico pode usar linguagem hipnótica para conquistar adesão de um paciente a um tratamento. Um vendedor de pacotes turísticos pode “transportar” um potencial cliente para o destino da viagem que ele quer fazer. Um professor pode fazer a turma visualizar um cenário e entender melhor a fórmula de física.
E nós podemos aprender como lidar melhor com algumas situações. Algumas emoções, como raiva, medo e ciúme, já estão tão condicionadas em nosso comportamento que, quandopercebemos, já estamos imersos nelas: tomamos uma atitude sem pensar se ela é a mais adequada à ocasião. Com a hipnose é possível atingir o equilíbrio emocional tomando consciência dessas emoções para, assim, ter controle sobre elas e escolher usá-las quando for realmente necessário.
Vamos investir em um modelo hipnótico com mais consciência e menos pêndulos… o que você acha?
* Alexandre Bortoletto é instrutor da SBPNL – Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística