TÁ RINDO DO QUE?     

16 de janeiro de 2012

0 Comentários

Enquanto nos deliciamos com as gostosas risadas do bebê do anúncio do Banco Itaú, entidades como o Instituto Alana devem estar planejando suas artimanhas para exercer o papel de polícia sobre tudo que diz respeito à criança na comunicação de produtos e serviços. Será?

Sob o pretexto de “despertar a consciência crítica da sociedade brasileira a respeito das práticas de consumo de produtos e serviços por crianças e adolescentes. Debater e apontar meios que minimizam os impactos negativos causados pelos investimentos maciços na mercantilização da infância e da juventude, tais como o consumismo, a erotização precoce, a incidência alarmante da obesidade infantil, a violência na juventude, o materialismo excessivo, o resgate das relações sociais entre outros, faz parte do conjunto de ações pioneiras do Projeto que busca, como uma de suas metas, a proibição legal e expressa de toda e qualquer comunicação mercadológica dirigida à criança no Brasil”.

A aspas acima foi extraída do texto Origem e Missão do site do Instituto Alana (www.alana.org.br) e sugere o quanto devem estar incomodados os dirigentes da entidade, que no anúncio do Banco Itaú, se deparam com uma criança se divertindo diante de extratos bancários. Será?

Ao estabelecer como meta a “proibição legal e expressa de qualquer comunicação” os idealizadores do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, reeditam o DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda (1939 à 1945), órgão do Estado Novo, que durante a ditadura de Getúlio Vargas decidia o que os brasileiros podiam ou não ter acesso nos meios de comunicação, sob o mesmo pretexto de “minimizar os impactos negativos”.

Tudo indica que instituições financeiras são alvo das ações de organizações como o Alana (Será?) quando essa Ong afirma que “A propaganda na TV é a principal ferramenta do mercado para a persuasão do público infantil, que cada vez mais cedo é chamado a participar do universo adulto quando é diretamente exposto às complexidades das relações de consumo sem que esteja efetivamente pronto para isso.” (Consumo Infantil, um problema de todos – www.alana.org.br).

Rir gostoso diante do extrato bancário não deixa de representar o despreparo de nosso jovem personagem que, de maneira muito convincente, encanta crianças e adolescentes tão despreparados quanto para o relacionamento com bancos, pelo menos na visão do Alana. Será?

A inconseqüência dos que pregam o controle do Estado sobre a liberdade de expressão comercial e condenam a autorregulamentação não está somente na defesa da censura, mas em uma forma muito mais sofisticada de subjugar o cidadão, a tutela. Uma sociedade tutelada se cala pelo desconhecimento e não pela força.

Entidades como o Instituto Alana defendem a tutela do cidadão pelo Estado sobre questões que se equacionam pela dinâmica da sociedade livre e cada vez mais informada. Os excessos, quando ocorrem, são condenados por essa mesma dinâmica sem a necessidade de intervenção estatal.

A propaganda brasileira possuí um aprimorado modelo de autorregulamentação, com participação ativa da sociedade. Os que não veem dessa forma, defendem um modelo que já foi testado e reprovado. Condenar a capacidade de autorregulamentar equivale ao ridículo de cogitar que o anúncio do Banco Itaú macula nossas relações familiares. Pelo menos assim parece pensar o Instituto Alana. Será?

  • Share/Bookmark

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.

Nenhum Comentário

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Nome (obrigatório)
Email (não será publicado) (obrigatório)
Site
Comentário:

Biografia

André Porto Alegre, jornalista e publicitário, membro do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva da APP - Associação dos Profissionais de Propaganda, Conselheiro do CONAR - Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, Conselheiro do FAC - Fórum do Audiovisual e Cinema. Foi Diretor Comercial da Mobz S.A., Circuito Digital S.A. e Promocine, empresas operadoras de mídia cinema. Vencedor do Prêmio MaxiMidia em 2004 e 2007 pelo Melhor Uso da Mídia Cinema. Trabalhou no jornal Folha de São Paulo, na Mauricio de Sousa Produções, no Grupo Young & Rubicam e na Ammiratti Puris Lintas. É professor dos cursos de MBA da Faculdade Rio Branco e FACCAMP.