“O diploma é o inimigo mortal da cultura”.
PAUL VALÉRY
O mundo permanece estarrecido e perplexo diante de instituições de ensino que excluem de seu quadro de professores os únicos que, “se formaram” para estar lá: OS PRÁTICOS. Que não tiveram muito tempo para se preocuparem com mestrados e doutorados porque estavam atolados no barro do mercado, com suas roupas sujas de graxa, com a barriga marcada pelo balcão. Os únicos a deterem, verdadeiramente, O CONHECIMENTO. Os que estudaram na melhor de todas as universidades: a vida.
Assim, foi com alegria e emoção que os que acreditam que SÓ PODE ENSINAR QUEM SABE FAZER, como orientou o maior dos mestres, PETER DRUCKER, que testemunhamos há quatro anos a centenária UNIVERSIDADE DE HARVARD, diplomar, como um de seus melhores alunos de todos os tempos, um dos que optou pelo trabalho em detrimento dos livros: BILL GATES. Cursou apenas o primeiro ano, jogou os livros para cima, e foi cuidar da vida.
NADA CONTRA OS DIPLOMAS. Tudo a favor da PRÁTICA; tão simples quanto. O mesmo espírito que sempre prevaleceu nas velhas e sábias corporações de ofício. Onde, em torno de uma mesma bancada, se sentavam para APRENDER, TRABALHANDO, o mestre e seus discípulos. ESSA, EM MEU ENTENDIMENTO, CONTINUA SENDO A VERDADEIRA ESCOLA; A ÚNICA ESCOLA. A maneira como começou há décadas, na rua sete de abril na cidade de São Paulo, a Escola Superior de Propaganda.
Ao lado de BILL GATES, na relação dos SEM DIPLOMAS, figuram AMADOR AGUIAR, SAMUEL KLEIN, WASHINGTON OLIVETTO, LUIZ SEABRA, ABRAÃO KASINSKI, STEVE JOBS, MARK ZUCKERBERG e centenas e centenas de vencedores. Que entre assistir aulas de grandes mestres que se formaram nos ambientes insípidos, inodoros, irrelevantes e improdutivos das universidades optaram por utilizar o mesmo tempo nos chãos de fábrica da vida e da realidade, corpo a corpo com os operários da e em construção.
Recentemente, em entrevista ao THE WALL STREET JOURNAL, WILLIAM GATES pai, falou sobre BILL, WILLIAM GATES filho. Hoje os dois trabalham lado a lado na FUNDAÇÃO BILL e MELINDA GATES: “Jamais poderia imaginar que meu filho, um garoto respondão, e em quem um dia joguei um copa d´agua na mesa de refeição para que ficasse quieto e parasse de brigar com a mãe, que morou na minha casa, comeu da minha comida, usa meu nome, fosse ser meu patrão”… .“Um dia ele nos comunicou que desistira de HARVARD e das escolas para se concentrar em seu projeto empresarial, em Albuquerque, Novo México, uma empresa que batizou de MICROSOFT; disse que não tinha mais tempo a perder…”.
Tudo o mais é história.
Quem vos escreve, além de colaborador de importantes publicações há 40 anos, FRANCISCO ALBERTO MADIA DE SOUZA, é diretor presidente do MADIAMUNDOMARKETING, presidente da ACADEMIA BRASILEIRA DE MARKETING, e com muito orgulho e maior felicidade, fundador de uma escola LIVRE PARA ENSINAR, a MADIAMARKETINGSCHOOL, onde todos os professores são diplomados pela vida, dão aulas de macacão sujo de graxa, com botas gastas e cheias de barro, e a cintura marcada por anos de balcão.

Estes professores diplomados pela vida, ou seja que fizeram a faculdade da vida, só faltou você comentar que eles são extremamente competentes, por isso pertencem ao tipe da MMM.
Comentário by Ariovaldo Florian — 2 de janeiro de 2012 @ 17:03
Brilhante sua clara e incisiva análise! Numa época em que a "reserva de mercado" corporativista e baseada no rebaixamento do conhecimento e da prática competente vem se alastrando, você, mais uma vez, mostra de forma exemplar o erro que se comete em desfavor das gerações futuras. Nunca entendi como alguém que conhece a vida apenas pela teoria, sem nunca ter produzido sequer um parafuso, pode se meter a ditar regras na economia e no planejamento das nações. Por isso é que o tal "mercado" se encontra em situação deprimente e sem aparente saída em que o vemos hoje, mundialmente. Vamos deixar trabalhar os que sabem fazer!
Comentário by Carlo C.L. Zanetti — 2 de janeiro de 2012 @ 17:17
Apoiado e compartilhado, via FB! Parabéns. Liliane Santos
Comentário by Liliane Santos — 2 de janeiro de 2012 @ 17:22
Olá Madia, você tem toda a razão em relação ao diploma, porque não é o mais importante e, como diz Bernard Shaw: "Quem sabe faz , quem não sabe ensina". Porém, na hora de pleitear uma vaga no mercado, se enviamos um currículo sem "diplomas", ~somos recusados. Então, como fica esse dilema? Afinal, nem todos conseguem criar uma empresa na garagem que se torne um sucesso como fez Steve Jobs com a Apple ou o Bill Gates com a Microsoft. Para muitos, ainda a opção é a trilha acadêmica para encontrar pelo menos a chance de mostrar quem é como profissional.
Comentário by Sergio Campos — 2 de janeiro de 2012 @ 17:26
Que maravilhoso, seu texto e tão pertinente, leciono em universidade há mais de 18 anos… e venho perdendo várias aulas, porque não tenho mestrado, doutorado, e sendo substituida por mestres, doutores.. alguns que nunca viveram um briefing, um case… e quando olho para a forma do mestrado seria impossivel realizá-lo porque estou atolada de lama (como você menciona…), e não teria a menor condição de abandonar o mercado latente para entrar num mestrado "caro" e que leva sempre cargas horárias muito pesadas. As quais como profissional que "bate cartão" seria demitida. Amo lecionar de todo meu coração e fico muito triste com este cenário… Meu querido Madia, um forteeee abs, e um 2012 mais justo, mais harmonioso, mais pé no chão… Prosperidade e Abundância a todos e todas!!!
Comentário by Arminda Costa — 2 de janeiro de 2012 @ 17:27
Prezado Madia,
Um dos mais belos artigos que já li, e começar o ano assim é um excelente sinal. Eu sou um amante das universidades, mas tenho a visão clara igual a sua que a universidade da vida é a que realmente ensina. Aliás, estou na fase final do meu doutorado aqui nos EUA e posso garantir que o processo de ter um PhD é mais político que ensino verdadeiramente falando. Um monte de gente de narizes empinados porque se dizem doutores e tenho minhas dúvidas se realmente sabem algo da vida. Só não desisti ainda porque sou persistente (risos). Parabéns por belíssimo texto e eu adoro por as mãos na graxa…
Feliz Ano Novo para você!
Claudemir
Comentário by seedsofdreams — 2 de janeiro de 2012 @ 17:34
Sem palavras….
Um texto brilhante, incrível, de uma sensibilidade e profundidade impressionantes!!!!
Parabéns pelo belíssimo texto e parabéns pela maneira maravilhosa de enxergar a realidade da vida!!!!!!!!!!!!
AMEI!!!!!
Feliz Ano Novo!!!!
Tatiana Colledan
Comentário by Tatiana Colledan — 2 de janeiro de 2012 @ 17:44
Muito interessante, apesar de eu ser suspeito, pois meu diploma é da universidade da 'vida', gosto muito da Madia, da Madia, do Peter Drucker. Esses são meus ícones atuais!!
Comentário by aviel koffler — 2 de janeiro de 2012 @ 17:45
A estrada é a grande escola da vida e a experiência a mãe das virtudes. Valorizar somente aqueles que fazem das Universidades praça e palanque de seu conhecimento é no mínimo idiota. No entanto, enaltecer a desnecessidade de estudar é um outro lado da moeda que também devemos lamentar.
Feliz Ano Novo!
Sergio
Comentário by Sergio Junqueira — 3 de janeiro de 2012 @ 1:14
Não chego a ter orgulho por ter apenas o antigo primeiro grau, porém sinto-me aliviado por não ter sido discipulado `a logica e o paradigma do concenso inócuo.
Nossa grande perda do ano, Steve jobs, nos abençou com uma célebre frase:
" Nunca deixe de ser tolo, nunca deixe de criar".
Talvez um dia tenhamos crianças dando aulas nas universidades e palestras na ONU.
Assim será mais proativo.
Comentário by Sergio Di Nardo — 3 de janeiro de 2012 @ 6:26
Grande Madia!
Grande no pensamento e nas ações. Ter a visão do que realmente importa é privilégio de poucos.
Parabéns pelo texto e um grande 2012 para você e família.
abraços do discípulo
Fernando Lummertz
Comentário by Fernando Lummertz — 3 de janeiro de 2012 @ 11:46
Pois é meu amigo Madia, meu diploma é o da vida.
Ensinei muitos profissionais a serem criadores de jingles e spots por esse país afora.
Tenho o maior orgulho disso e ser quem sou.
abração
Zelão
Comentário by José Luiz Nammur — 3 de janeiro de 2012 @ 13:15
Valeu, querido amigo CLAUDEMIR. Assim como no Renascimento, e estamos vivendo o TRINASCIMENTO, é chegada a hora de retomarmos o espírito das corporações de ofício. Está mais que na hora de mestres e aprendizes se reencontrarem nas bancadas da vida, e compartilharem o conhecimento e o saber decorrente da prática. O verdadeiro
Comentário by MADIA — 3 de janeiro de 2012 @ 14:43
Mark Twain escreveu: “Nunca permiti que a escola atrapalhasse meus estudos.”
E George Bernard Shaw admitiu: “Em determinado momento, interrompi meus estudos para ingressar na universidade.”
Devemos listar aí também o bilionário brasileiro, Eike Baptista – favorecimentos à parte, já que muitos outros também começaram com um "empurrãozinho" imoral, mas não chegaram nem perto
Comentário by Luiz Carlos Fassoni — 4 de janeiro de 2012 @ 9:06