“As revoluções, como os vulcões, têm os seus dias de chamas e os seus anos de fumaça”.
VICTOR HUGO
Segundo a pesquisa ESTATÍSTICA DO REGISTRO CIVIL, divulgada pelo IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE PESQUISAS E ESTATÍSTICAS, no ano de 1987 foram registrados exatos 3.700 divórcios no país, no segmento das pessoas com 60 e mais anos. 20 anos depois, esse número multiplicou-se por quase 6, totalizando 19.285 divórcios.
Falando sobre o assunto à REVISTA DA HORA do jornal AGORA SÃO PAULO, a psicanalista MARIA CRISTINA SOUZA DE LUCIA, diretora da divisão de psicologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, assim explicou, “Há uma mudança de cultura, uma quebra no preconceito contra os mais velhos, provocada por eles mesmos. A gente vê mais alegria em quem já está na maturidade, vê produtividade profissional, vitalidade física, busca por outras alternativas de vida”.
Dentre as razões para a mudança significativa no comportamento dos casais da terceira idade, a mais importante dentre todas é o aumento de expectativa de vida. Em 27 anos, ganharam mais 10 anos. A expectativa de vida do brasileiro em 1980 era de 62,6 anos; em 2007 saltou para 72,57 anos. Assim, se em 1980 não valia a pena se separar depois dos 60 com, em tese, mais dois anos pela frente, em 2007 e, de novo, em tese, 12 anos a caminhar, por que não se separar?!
A melhoria significativa na performance sexual dos homens com os novos medicamentos para disfunção erétil, leia-se CIALIS e VIAGRA, principalmente, figura como a segunda causa mais importante. Passam a considerar uma segunda chance com uma mulher mais jovem.
Já para as mulheres, a nova posição da mulher na sociedade, mais independente e disposta a correr mais riscos e romper com aparências e caminhar em busca da felicidade, seguramente é a segunda causa mais importante. E para tanto é fundamental livrarem-se do “mala” que têm a seu lado.
E também a se considerar, a crescente valorização da vida solitária, muito especialmente nos grandes centros urbanos, mais a sensação de desobrigação, pela saída dos filhos de casa.
Assim, e parafraseando GERTRUDE STEIN, “Há um novo lá ali”. De verdade, mesmo, nem um ali existia onde agora pontifica um novo lá. As pessoas morriam antes. Esses 10 anos a mais de vida conquistados nos últimos 20 anos, num exato momento da vida onde as pessoas alcançam, na média, o melhor e maior poder de compra, vai se traduzindo num substancial aumento de mercado, um novo mercado agregado de pessoas velhas. E importantes oportunidades para quase todos os produtos e negócios.
Se não se separavam e viviam até o fim no mesmo teto, agora ao se separarem liberam um imóvel usado para venda ou locação e criam uma demanda nova para dois imóveis de menores dimensões. E nesses imóveis novos, móveis, eletrônicos, decoração, vontade/desejo/prazer de renovar tudo para a derradeira e última etapa da jornada.
Será que as empresas já se deram conta que hoje se canta o PARABÉNS por mais 10 anos?
