Carnaval, coisa de velho     

19 de dezembro de 2011

0 Comentários

“Meu fumo e minha ioga, você é minha droga, paixão e carnaval”.

CAETANO VELOSO

Nos anos 50, 60 e 70 ainda havia alguma expectativa sobre os lançamentos para o CARNAVAL. Nos programas de humorismo na televisão era comum um CHOCOLATE, GOLIAS, ZÉ VASCONCELOS, “trabalharem” suas músicas para o “reinado de momo”. – À medida que vou escrevendo estes comentários a sensação de coisa antiga não para de crescer e reverberar.

Talvez o maior dos lançadores das últimas décadas tenha sido SILVIO SANTOS. Via de regra músicas com duplo sentido, repetidas à exaustão em seus programas, e ficava-se com a sensação que todos cantariam nos melhores clubes do país e seus tradicionais bailes de Carnaval.

Meu Carnaval ficou no tempo. Nos anos 50 e 60 todos os anos escolhíamos uma cidade do litoral ou interior paulista e era lá que a TURMA DA ROSA E SILVA se divertia; e nunca mais voltava porque sempre tinha alguma confusão, ou “ciumeira” dos rapazes da cidade que rapidamente tratavam de espantar os invasores.

Agora o papo é outro. Ou os compositores modernos não estão com nada, ou, definitivamente, os jovens não frequentam mais os bailes de Carnaval, ou ainda, se frequentam, acabam subjugados pelos mais velhos – orquestras e seus pais/avós -, e se rendem cantando as marchinhas do passado.

A sucursal da FOLHA do RIO DE JANEIRO, em matéria produzida por FÁBIO GRELLET, decidiu mergulhar e condensar os dados do ECAD – Escritório Central de Arrecadação e Distribuição – e referentes à execução de músicas nos bailes de Carnaval, de 2001 para cá. E para susto de todos, a suposta número 1, “FESTA”, grande hit de IVETE SANGALO, figura modestamente na 10ª posição. Antes dela, outras 9 marchinhas, com idade média superior a 40 anos!

O primeiríssimo lugar pertence a marcha de ROBERTO KELLY e ROBERTO FAISSAL, de 1963, “CABELEIRA DO ZEZÉ”. O segundo lugar, a uma marcha mais antiga, ainda, de autoria de GLAUCO FERREIRA, HOMERO FERREIRA, e IVAN FERREIRA, 1959, “ME DÁ UM DINHEIRO AÍ”. O terceiro pertence a uma mais antiga ainda, e de autoria de JARARACA e VICENTE PAIVA, 1936, “MAMÃE EU QUERO”. E na quarta posição, e supostamente, uma composição do século retrasado, 1899, de autoria de JOANA BATISTA RAMOS e MATHIAS DA ROCHA, “VASSOURINHAS”!

Já o quinto lugar é de uma composição “mais recente”. De 1931, de autoria de JOÃO VALENÇA e RAUL DO REGO VALENÇA, “TEU CABELO NÃO NEGA”. No sexto, “CIDADE MARAVILHOSA”, 1934, ANDRÉ FILHO. Em sétimo, “SORTE GRANDE”, 1999, LOURENÇO. Na oitava posição, “JARDINEIRA”, de BENEDITO LACERDA e HUMBERTO CARLOS PORTO, de 1938. Na nona, “MULATA YE YE YE, 1964, de JOÃO ROBERTO KELLY. E finalmente, na décima, a única do novo milênio, “FESTA”, 2001, ANDERSON CUNHA.

Quando o último dos velhos vivos morrer adeus momo. Ou ainda há tempo para salvar o Carnaval?

  • Share/Bookmark

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.

Nenhum Comentário

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Nome (obrigatório)
Email (não será publicado) (obrigatório)
Site
Comentário:

Biografia

Francisco Alberto MADIA de Souza é considerado a maior autoridade em marketing do país, segundo pesquisa realizada pela Toledo e Associados para a ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil. Trabalhando há 44 anos em marketing, há 31 MADIA é Diretor Presidente e Sócio do MADIAMUNDOMARKETING – empresa líder em Consultoria de Marketing ; Advogado e Empresário, com cursos de especialização em marketing no Brasil e nos Estados Unidos – N.Y. University; MASTER em MARKETING pelo C.F .E.. Presidente do júri do "Top de Marketing" por 10 anos e integrante do júri do "Prêmio Colunistas" por 28 anos; Criador e Presidente do "Prêmio Marketing Best" também por 10 anos. Presidente da Academia Brasileira de Marketing. Autor dos livros "Marketing Trends - 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 2011 e 2012", "O Grande Livro do Marketing", "Marketing Pleno", "Os Axiomas do Marketing", "Datamarketing Behavior - Introdução ao Marketing de 6ª Geração" e "Causos de Marquetim". Escreveu e publicou mais de 5 mil artigos sobre Marketing, realiza em média 80 conferências por ano, e há 35 anos escreve a coluna "Marketing" para um "Sindicate" de Jornais e Revistas em todo o Brasil , dentre eles para o Jornal Propaganda e Marketing, Profissional & Negócios, Consumidor Moderno, Venda Mais, Revista Aprender, Revista Vaerejo E Tecnologia, Portal Guia Santa Clara. Seus livros e artigos são adotados nos principais cursos de marketing do Brasil e de países das Américas e da Europa. Em 2005, MADIA foi o grande vencedor do Prêmio Jabuti, em sua 47ª edição – Melhor Livro Não-Ficção do Ano – com “OS 50 MANDAMENTOS DO MARKETING”, editado pela M. Books do Brasil.