“Meu fumo e minha ioga, você é minha droga, paixão e carnaval”.
CAETANO VELOSO
Nos anos 50, 60 e 70 ainda havia alguma expectativa sobre os lançamentos para o CARNAVAL. Nos programas de humorismo na televisão era comum um CHOCOLATE, GOLIAS, ZÉ VASCONCELOS, “trabalharem” suas músicas para o “reinado de momo”. – À medida que vou escrevendo estes comentários a sensação de coisa antiga não para de crescer e reverberar.
Talvez o maior dos lançadores das últimas décadas tenha sido SILVIO SANTOS. Via de regra músicas com duplo sentido, repetidas à exaustão em seus programas, e ficava-se com a sensação que todos cantariam nos melhores clubes do país e seus tradicionais bailes de Carnaval.
Meu Carnaval ficou no tempo. Nos anos 50 e 60 todos os anos escolhíamos uma cidade do litoral ou interior paulista e era lá que a TURMA DA ROSA E SILVA se divertia; e nunca mais voltava porque sempre tinha alguma confusão, ou “ciumeira” dos rapazes da cidade que rapidamente tratavam de espantar os invasores.
Agora o papo é outro. Ou os compositores modernos não estão com nada, ou, definitivamente, os jovens não frequentam mais os bailes de Carnaval, ou ainda, se frequentam, acabam subjugados pelos mais velhos – orquestras e seus pais/avós -, e se rendem cantando as marchinhas do passado.
A sucursal da FOLHA do RIO DE JANEIRO, em matéria produzida por FÁBIO GRELLET, decidiu mergulhar e condensar os dados do ECAD – Escritório Central de Arrecadação e Distribuição – e referentes à execução de músicas nos bailes de Carnaval, de 2001 para cá. E para susto de todos, a suposta número 1, “FESTA”, grande hit de IVETE SANGALO, figura modestamente na 10ª posição. Antes dela, outras 9 marchinhas, com idade média superior a 40 anos!
O primeiríssimo lugar pertence a marcha de ROBERTO KELLY e ROBERTO FAISSAL, de 1963, “CABELEIRA DO ZEZÉ”. O segundo lugar, a uma marcha mais antiga, ainda, de autoria de GLAUCO FERREIRA, HOMERO FERREIRA, e IVAN FERREIRA, 1959, “ME DÁ UM DINHEIRO AÍ”. O terceiro pertence a uma mais antiga ainda, e de autoria de JARARACA e VICENTE PAIVA, 1936, “MAMÃE EU QUERO”. E na quarta posição, e supostamente, uma composição do século retrasado, 1899, de autoria de JOANA BATISTA RAMOS e MATHIAS DA ROCHA, “VASSOURINHAS”!
Já o quinto lugar é de uma composição “mais recente”. De 1931, de autoria de JOÃO VALENÇA e RAUL DO REGO VALENÇA, “TEU CABELO NÃO NEGA”. No sexto, “CIDADE MARAVILHOSA”, 1934, ANDRÉ FILHO. Em sétimo, “SORTE GRANDE”, 1999, LOURENÇO. Na oitava posição, “JARDINEIRA”, de BENEDITO LACERDA e HUMBERTO CARLOS PORTO, de 1938. Na nona, “MULATA YE YE YE, 1964, de JOÃO ROBERTO KELLY. E finalmente, na décima, a única do novo milênio, “FESTA”, 2001, ANDERSON CUNHA.
Quando o último dos velhos vivos morrer adeus momo. Ou ainda há tempo para salvar o Carnaval?
