Pinacoteca do Estado apresenta: Eliseu Visconti – a modernidade antecipada     

6 de dezembro de 2011

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A Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a exposição Eliseu Visconti – a modernidade antecipada com cerca de 250 obras entre pinturas, desenhos, cerâmicas e documentos, realizadas entre os anos 1890 e 1940. Eliseu Visconti (Salerno, Itália, 1866 – Rio de Janeiro, RJ, 1944) foi, entre as décadas de 1890 e 1920, um dos artistas mais importantes do Brasil e esta mostra configura-se numa oportunidade única para conhecer a produção de Visconti, em toda sua extensão. Eliseu Visconti – a modernidade antecipada celebra o ano da Itália Brasil e tem a curadoria de Rafael Cardoso, historiador da arte, Mirian Seraphim, historiadora e especialista na obra de Eliseu Visconti e Tobias Stourdzé Visconti, neto do artista.

Abertura dia 10 de dezembro, sábado, a partir das 11h

Em cartaz até o dia 26 de fevereiro de 2012

Eliseu Visconti – a modernidade antecipada

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta a exposição Eliseu Visconti – a modernidade antecipada com cerca de 250 obras, entre pinturas, desenhos, cerâmica e documentos. Esta exposição celebra o ano da Itália Brasil e um momento importante na divulgação da obra de Eliseu Visconti, já que a última exposição retrospectiva de Visconti (Salerno, Itália 1866 – Rio de Janeiro, RJ, 1944) foi realizada em 1949 no Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro. “Esta mostra representa uma oportunidade para que o público de hoje tome contato com a produção de Visconti, em toda sua extensão. Trata-se de ocasião ímpar, visto que a maior parte de sua obra está guardada em coleções particulares. Esta mostra tem por propósito recuperar a obra de Visconti, situando-o como grande expoente da arte brasileira no período crítico da primeira República”. Afirma Rafael Cardoso, um dos curadores da mostra.

A exposição é dividida por períodos e temas desenvolvidos por Visconti durante sua carreira, 1888 a 1944. Entre eles estão pinturas de Paisagem, Retratos, Nus, com destaque para a importante produção do artista nas vertentes Simbolista e Impressionista, estilos em que é reconhecido como um dos maiores mestres da arte brasileira. Arte Decorativa e Design que apresenta uma série de projetos aplicados à indústria e que foi tema de uma mostra realizada pela Pinacoteca em 2008; Auto-retrato em que são apresentados cerca de 25 trabalhos, incluindo cenas de Visconti com a família. “Aqui o visitante terá a oportunidade de conhecer o processo artístico de Visconti, especialmente nas obras Maternidade, 1906 e Recompensa de São Sebastião, 1987, das quais são apresentadas um conjunto de estudos e variantes pouco conhecidos. Além dessas obras, serão apresentados, ainda trabalhos como A Convalescente,1897, que foi recém localizada após décadas longe da vista do público, e Sonho Místico, 1897, que retorna ao Brasil pela primeira vez após sua compra pelo governo do Chile há um século.

Eliseu Visconti foi, entre as décadas de 1890 e 1920, um dos artistas mais importantes do Brasil e um dos que mais participou de exposições estrangeiras, conquistando prêmios na França, nos Estados Unidos e no Chile. “A carreira artística de Visconti desenrolou-se no momento fundamental da história brasileira que se estende desde os últimos anos do Segundo Reinado até a Segunda Guerra Mundial. Ele pertence a uma geração que fez, em vida, a ponte entre o Brasil imperial e o Brasil moder no. Hoje sua obra integra as principais coleções particulares e públicas do país. A presente exposição representa uma oportunidade para que o público de hoje tome contato com a produção de Visconti, em toda sua extensão. Trata-se de ocasião ímpar, visto que a maior parte de sua obra está guardada em coleções particulares. Dos cerca de 230 trabalhos aqui expostos, é provável que poucos visitantes – mesmo os especialistas em História da Arte – tenham conhecimento prévio de mais de uma dezena de suas pinturas. O mais curioso é que há exatos 100 anos – no mês de dezembro de 1911 –, quatro obras, A Providência Guia Cabral (1899), Maternidade (1906), A Carta (1906) e Retrato da Minha Filha (1909), Maternidade (1906), de Eliseu Visconti foram expostas pela primeira vez no prédio que hoje abriga a Pinacoteca do Estado de São Paulo, antes Liceu de Artes e Ofícios, na Primeira Exposição Brasileira de Belas Artes”. comenta  Mirian Seraphin, também curadora da mostra.

Sobre o artista

Nascido na Itália (Salerno, 1866 – Rio de Janeiro RJ 1944), Eliseu Visconti chega ao Rio aos sete anos de idade, por volta de 1873. Em 1883 inicia seus estudos no Liceu de Artes e Ofícios do Rio, onde recebe vários prêmios na cadeira de Ornatos. Em 1886, como aluno da Imperial Academia de Belas Artes, ad quire formação artística que, aliada ao seu temperamento inquieto, marca o surgimento de um artista com personalidade renovadora, aberto a novas experiências.

Após vencer o prêmio de viagem da Escola Nacional de Belas Artes, Visconti consolida em Paris seu aprendizado no campo das artes decorativas. De 1894 a 1898, inscreve-se na École Guérin, onde frequenta o curso de desenho e arte decorativa de Eugène Grasset, uma das mais destacadas expressões do Art Nouveau.

Em 1900, volta para o Brasil e executa trabalhos pioneiros de design, dentre os quais o ex-líbris e emblema para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Em 1905 é convidado a realizar painéis para a decoração do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Entre 1908 e 1913, é professor de pintura na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), cargo a que renuncia por descontentamento com as normas do ensino. Retorna à Europa para realizar também, entre 1913 e 1916, a decoração do foyer do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Visconti permaneceria na França até 1920, período em que executa as paisagens impressionistas de Saint-Hubert, vilarejo na França onde residia a família de sua esposa. Ao retornar em definitivo ao Brasil, participa do processo de contínua modernização urbana da cidade do Rio de Janeiro, executando importantes decorações para a Biblioteca Nacional, para o Palácio Tiradentes e para o Palácio Pedro Ernesto.

Em 1922, é agraciado com a Medalha de Honra pelo conjunto de sua obra, na Exposição Comemorativa do Centenário da Independência. Ainda na década de 20, inicia sua fase de paisagens de Teresópolis, cheias de atmosfera luminosa e transparente, de radiosa vibração tropical.

Entre 1934 e 1936, Visconti leciona no curso de extensão universitária de artes decorativas da Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Para Guilherme Cunha Lima, tem início então, com Visconti, o ensino de design no Brasil.

Prosseguiria Eliseu Visconti na busca incansável pelo novo, evoluindo em sua técnica e desconhecendo estágios de decadência.  Entretanto, três meses após ser golpeado na cabeça em um assalto ao seu atelier, falece o artista em 15 de outubro de 1944, aos 78 anos de idade.

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