Dormindo com o alicate     

5 de dezembro de 2011

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“O mau artífice culpa a ferramenta”.

PROVÉRBIO

Em anos idos, e conforme magistralmente registrado por THEODORE LEVIT em seu clássico MARKETING MIOPYA da HARVARD BUSINESS REVIEW, empresas e executivos apaixonavam-se pelos produtos. Acordavam com o produto, almoçavam com o produto, cafezinhos todos com o produto, e ainda levavam o produto para a cama. E no dia seguinte, e mais apaixonadamente, a situação se repetia. Deu no que deu. Quem se apaixona pelo produto fica com o produto e perde o mercado. Quem ignora o cliente cego de paixão pelo produto, fica e morre com o produto e é ignorado pelo cliente.

De uns anos para cá empresas e executivos se apaixonam por ferramentas. Da mesma maneira como se um carpinteiro, ao invés de usar o martelo para seus devidos fins, isso é, para pregar da melhor forma possível todos os pregos, carregasse o martelo em um sensual saquinho de veludo azul evitando e prevenindo seu contato com qualquer espécie de prego.

Ferramenta é meio e não fim. Ferramenta presta serviços e jamais, em momento algum, deve ser o alvo das atenções. Quem mantém empresas vivas e prósperas é o mercado e parte de seus habitantes, que depois de sensibilizados, seduzidos e conquistados merecem a denominação de clientes. Mas, e de novo, empresas e executivos apaixonam-se pelas ferramentas, muito especialmente em momentos de revolução tecnológica, do fascínio que o mundo web exerce.

Na GAZETA MERCANTIL de 13 de abril de 2009, meses antes de encerrar suas atividades, uma grande matéria assinada por NEILA BALDI e CLAYTON MELO. Na matéria, empresas e executivos, com toda a razão, enaltecem todas as possibilidades e recursos da internet. E isso deveria ser tudo. Deveriam reconhecer a qualidade e virtudes da nova ferramenta, e retornarem aos fundamentos. Olhos totalmente concentrados no mercado, em busca de suspects, no processo de sensibilizá-los e interessá-los convertendo-os em prospects, e, finalmente, e num último e derradeiro lance, possibilitar que realizem compras e se convertam em clientes. Se para isso vai se recorrer às ferramentas do mundo virtual, digital, real, ou sobrenatural, é uma escolha decorrente de um critério de qualidade: o ponto de contato mais eficaz e relevante entre empresa e suspect em cada situação.

Infelizmente não é esse tipo de comportamento que se encontra na maioria das empresas. Seus executivos proclamam orgulhosos e envaidecidos, que estão “montando equipes exclusivas para coordenar as ações de marketing na rede”. De novo, recaída; a velha e inconsequente paixão pelas ferramentas de volta.

Tudo o que uma empresa moderna e totalmente voltada para o mercado tem a fazer é se organizar para que seus executivos concentrem toda a sua inteligência e sensibilidade monitorando os passos e comportamentos de seus suspects, prospects e clients, e das diferentes tribos que frequentam. Se vão usar tacape, flecha, espingarda, bodoque, ou estilingue para acessá-los, ou se o caminho é pelo mundo real ou virtual essa é uma decisão posterior e decorrente.

Acorda, gente!

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Biografia

Francisco Alberto MADIA de Souza é considerado a maior autoridade em marketing do país, segundo pesquisa realizada pela Toledo e Associados para a ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil. Trabalhando há 44 anos em marketing, há 31 MADIA é Diretor Presidente e Sócio do MADIAMUNDOMARKETING – empresa líder em Consultoria de Marketing ; Advogado e Empresário, com cursos de especialização em marketing no Brasil e nos Estados Unidos – N.Y. University; MASTER em MARKETING pelo C.F .E.. Presidente do júri do "Top de Marketing" por 10 anos e integrante do júri do "Prêmio Colunistas" por 28 anos; Criador e Presidente do "Prêmio Marketing Best" também por 10 anos. Presidente da Academia Brasileira de Marketing. Autor dos livros "Marketing Trends - 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 2011 e 2012", "O Grande Livro do Marketing", "Marketing Pleno", "Os Axiomas do Marketing", "Datamarketing Behavior - Introdução ao Marketing de 6ª Geração" e "Causos de Marquetim". Escreveu e publicou mais de 5 mil artigos sobre Marketing, realiza em média 80 conferências por ano, e há 35 anos escreve a coluna "Marketing" para um "Sindicate" de Jornais e Revistas em todo o Brasil , dentre eles para o Jornal Propaganda e Marketing, Profissional & Negócios, Consumidor Moderno, Venda Mais, Revista Aprender, Revista Vaerejo E Tecnologia, Portal Guia Santa Clara. Seus livros e artigos são adotados nos principais cursos de marketing do Brasil e de países das Américas e da Europa. Em 2005, MADIA foi o grande vencedor do Prêmio Jabuti, em sua 47ª edição – Melhor Livro Não-Ficção do Ano – com “OS 50 MANDAMENTOS DO MARKETING”, editado pela M. Books do Brasil.