NAS TREVAS COMO NA IDADE MÉDIA     

18 de outubro de 2011

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Incluí na pauta dos próximos dias os Jogos Pan Americanos de Guadalajara 2011. O fiz por prazer e por dever. Prazer de torcer pelos atletas brasileiros a menos de um ano das Olimpíadas de Londres 2012 e dever por considerar que o evento é digno de registro diário pelo seu significado jornalístico.

Tão simples quanto isso. O desempenho dos atletas brasileiros no México é revelador das nossas chances nos próximos jogos olímpicos e decisivo para a formação de uma geração capaz de fazer bonito na Rio 2016. No entanto não parece ser essa a orientação de alguns veículos de comunicação brasileiros que montam as suas pautas através de critérios pouco profissionais. Essa perspectiva desloca o consumidor da posição de alvo da informação de qualidade, para a de refém das vaidades corporativas. Exatamente igual à Idade Média.

É legitima a disputa pelos direitos de transmissão e, por consequência, que os eventos artísticos ou esportivos trafeguem por diferentes emissoras. Essas empresas honram a história da televisão brasileira, o compromisso de levar boa programação aos quatro cantos do país e a capacidade de mobilizar o mercado anunciante como financiador desses projetos.

Ao desdenhar a informação pelo fato de não serem os detentores dos direitos de transmissão, as emissoras rompem o compromisso com o espectador que sempre foi seu principal aliado e o fazem por pura soberba, crentes de que nada sofrerão. Esquecem ou desconhecem a história recente do Brasil e o supremo poder da audiência.

Esse silêncio vergonhoso permanecerá por mais um ano, até o final das Olimpíadas de Londres, e confirmará uma idéia muito real nos dias de hoje, a de que o espectador não precisa de ninguém decidindo o que ele deve assistir, de que as grades de programação se orientam pelas conveniências e não pelas audiências e que, para o consumidor, não há nada melhor do que exercer o papel de controlador da situação.

Findo esse período medieval e de volta às gritarias de costume em prol do ufanismo piegas, o espectador encontrará o renascimento e nele estabelecerá novos padrões de relacionamento com os veículos de comunicação. Tomara que não seja tarde demais para os que abriram mão do consumidor.

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Biografia

André Porto Alegre, jornalista e publicitário, membro do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva da APP - Associação dos Profissionais de Propaganda, Conselheiro do CONAR - Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, Conselheiro do FAC - Fórum do Audiovisual e Cinema. Foi Diretor Comercial da Mobz S.A., Circuito Digital S.A. e Promocine, empresas operadoras de mídia cinema. Vencedor do Prêmio MaxiMidia em 2004 e 2007 pelo Melhor Uso da Mídia Cinema. Trabalhou no jornal Folha de São Paulo, na Mauricio de Sousa Produções, no Grupo Young & Rubicam e na Ammiratti Puris Lintas. É professor dos cursos de MBA da Faculdade Rio Branco e FACCAMP.