Durante toda a minha carreira executiva e agora como educador e facilitador de assuntos humanos sempre escutei a famosa frase sobre a imagem da área de RH: “tudo o que você falar poderá e será usado contra você no tribunal!”. Muda a organização, as pessoas, a localidade, mas a imagem é invariavelmente a mesma!
Particularmente também sempre tive esta imagem de RH como área cliente, no caso Marketing. Tudo bem que dependendo do “HR Business Partner” essa sensação era minimizada, mas um pezinho atrás sempre era prudente ter… Afinal de contas vai saber o que eles falavam no “olimpo” (como costumo chamar a Presidência/Diretoria) sobre você!
A reflexão que me ocorre é: como e quando vamos sair deste modelo? Como mudar um modelo que já está provado que não funciona… E olha que não funciona nem para muitas áreas clientes, e tão pouco para muitos dos profissionais de RH. Frustrações de todas as partes!
Também não tenho a resposta desta tal solução… E sei também que é um assunto longamente debatido na área. Mas vejo muita conversa e artigos, e poucas ações na prática neste sentido.
Um insight, muito fruto da experiência prática que venho tendo nos últimos anos através de Rede Ubuntu, é se RH não deveria ser uma das primeiras áreas que mudassem para um modelo em rede, um modelo sem vínculos empregatícios formais, um modelo no qual empresas/indivíduos parceiros prestam serviços para mais de uma organização e tem isenção, transparência, e um compromisso real e verdadeiro com o propósito de cuidar de GENTE, cuidar de pessoas! Um modelo sem agendas ocultas… Um modelo que preza pela relação, pela verdade.
Sim, você está pensando que um modelo em rede pode também ter agendas ocultas, uma vez que isso depende bem mais dos indivíduos do que do sistema organizacional. Também concordo com essa visão!
Mas como venho aprendendo pela Abordagem Integral (Ken Wilber), não basta apenas agir na formação dos indivíduos., tanto do ponto de vista de valores como de competências… Não basta apenas trabalhar no propósito da área, definindo visão e missão maravilhosos! Na minha opinião passa também por um sistema organizacional diferente!
Tanto acredito neste modelo que já cheguei a fazer a pergunta para um cliente que estava a procura de um segundo Diretor de RH, se efetivamente eles estavam precisando de mais um cargo! Pedi para listar as funções, atividades que eles estavam precisando e checarmos se isso não poderia ser resolvido de outra forma…Em um outro modelo!
Mas modelos novos assustam, não é verdade? Dão trabalho! É duro experimentar e colocar a cara a “tapa”….
Mas até quando continuaremos vendo o mesmo modelo, década atrás de década?
Boas reflexões e ações, pelo amor de Deus! Um excelente final de semana.
Eduardo Seidenthal