No início da carreira, ainda integrante da banda Os Mutantes, Rita Lee fez sucesso com a música José (Meu Bom José) do francês G. Moustaki, em uma versão para português (acreditem !) de Nara Leão (1942 – 1989).
A música, de arranjo e notas medievais, foi o primeiro sucesso na voz da menina ruiva que se tornaria compositora de sons que fazem parte do repertório musical brasileiro, e conta a trajetória improvável de José, o pai de Jesus Cristo.
O tom da narrativa, interpretada com ares de singeleza e dramaticidade ainda constantes na voz da jovem cantora, é uma marca registrada da autora da versão e reserva para os ouvintes a constatação de que o José podia ter vivido outra vida completamente diferente da que viveu, tivesse não se apaixonado pela “sua Maria”.
Acredito que a vida de todos nós seria realmente diferente não fossem as decisões que tomamos. A isso denominamos livre arbítrio, ou seja, nossa infinita capacidade de fazer escolhas e arcar com suas conseqüências.
A história de José é curiosa a ponto de inspirar uma canção, pelo fato de que suas escolhas não influenciaram somente a sua existência, mas sim a vida de milhões de homens e mulheres, mais de dois mil anos depois.
Nessa constatação não há nenhum sentido religioso. Caso tenha realmente existido, casado com a jovem Maria, protegido-a da perseguição ao seu filho, ajudado-a no parto em condições precárias, assumido e criado o menino como filho do casal mesmo sabendo que isso não era a verdade, transforma José em um personagem de apelo humano insuperável. Caso seja tudo uma grande invenção que superou o tempo, faz de José um dos grandes ícones da dramaturgia de todos os tempos.
Durante toda a canção de escassos dois minutos é praticamente impossível não se solidarizar com o José, a ponto de lamentar sua pouca sorte nos fatos que sucederam a partir da decisão de casar com Maria. Mas esse era o seu destino.
Em tempos de Rock in Rio e do sucesso da iniciativa é impossível não considerar o destino de todos aqueles que se empenharam na organização do mega evento e todos os riscos envolvidos em sua realização. Principalmente no destino de Roberto Medina.
Meu Bom Medina podia ter opções mais convencionais para desfrutar dos resultados dos seus muitos anos de serviços prestados à propaganda brasileira, mas as coisas não funcionam dessa maneira e Meu Bom Medina se empenhou em um projeto que tinha todos os ingredientes para lhe causar tremendas dores de cabeça.
O Rock in Rio 2011 foi um grande sucesso. Uma surpreendente sucessão de músicos, de estilos, de vozes, de luzes, de sons, mas principalmente, uma explosão de energia, onde a platéia performou tanto quanto os artistas.
As dificuldades de transporte, as filas para alimentação, a sujeira dos banheiros, os assaltos ao publico e a diversidade da programação, temas recorrentes dos urubus de plantão, serão debitados da nossa conta cultural e o saldo dessa planetária operação será positivo e o crédito é do Meu Bom Medina e toda a sua equipe que deram demonstrações inequívocas de capacidade de produção.
Meu bom Medina podia viver uma outra vida, em um outro planeta que não o do rock and roll ou do show business, mas seu destino, assim como o de José, é o de superar dificuldades em nome da paixão. Essa era a resposta da canção para as escolhas de José e é a minha resposta para as escolhas do Medina. Obrigado Meu Bom Medina.
Em tempo. Esse artigo foi inspirado pelo post no Facebook do Fábio Madia no segundo dia de Rock In Rio. À época o Fábio parabenizava a família Medina pela iniciativa e realização. Um reconhecimento de quem também realiza e sabe o quanto é difícil colocar as idéias “de pé”.
O bm Medina merece mesmo honrarias pelo empreendedorismo, mas, nós, consumidores de seu produto merecíamos alguns "dividendos" dessa fortuna que ele e o prefeito do Rio levaram. Passei o pão que o diabo (não o do rock verdadeiro) amassou!
Uma total falta de respeito para com os dezenas de milhares de pessoas que se aventuraram no pop in rio. Sim, meu caro! aventureiros. Hotel, avião e grana para os "parcos" ingressos não faltaram, mas faltou o respeito da dupla medina/paes. Para chegar ao local do evento só por meio de uma van pirata, a do "Pessanha", um boa praça malandro carioca que com sua conversa mole levou 30 pilas por cabeça para entregar a encomenda na porta do evento por causa de uma credencial pirata. Tive sorte com o Pessanha!
Mas a volta, meu caro articulista, foi um inferno de dante. Saímos feito manada, sem nenhuma orientação, andamos 1,5 km para talvez encontrar um coletivo de linha, mas novamente uma aventura de van com um maluco moicano andando como um louco para voltar rapidamente e fazer outro carreto a 15 reais por cabeça para te abandonar em um lugar ermo perto de um tal de alvorada para dai começar tudo novamente na tentativa de chegar ao hotel praia do flamengo. Por sorte, conseguimos depois de 2 horas um dos 35 mil taxis impedidos de transitarem na área do medina in rio por causa dos buzões alugados pela dupla medina/paes para os de cartõezinhos do RiR.
Seu bom Medina, divida um pouco de sua grana conosco da próxima.
Ah! deixe os caras que transportam pessoas ganharem um pouquinho também.
Rock in Rio never again
Comentário by paulo rubini — 3 de outubro de 2011 @ 22:18