A FÓRMULA DO SUCESSO     

26 de setembro de 2011

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Semana de comunicação em universidade é como aniversário de hipermercado, só acontece no segundo semestre. Por isso quando começa agosto há uma avalanche de convites para palestras e mesas de debate.

Particularmente me sinto honrado quando sou lembrado e evito declinar dos convites. Acredito que um dia serei esquecido, por isso aproveito o momento para expor e trocar idéias com os futuros profissionais de propaganda.

Tem sido uma experiência muito boa. Há no Brasil mais de 500 faculdades de Publicidade e Propaganda que colocam cerca de 8 mil novos profissionais no mercado de trabalho por ano e congregam um universo de aproximadamente 200 mil estudantes regularmente matriculados.

São números compatíveis com a relevância da propaganda brasileira e com o tamanho do país. Dos egressos, estima-se que 10% atuarão diretamente ligados à atividade publicitária em agências, veículos, anunciantes e serviços especializados.

O sucesso dos cursos superiores de propaganda é resultado da evidência da profissão, por isso considero que todo o profissional em atuação é parcialmente responsável pela escolha dos jovens que dedicam os melhores anos de suas vidas a aprender o ofício.

A falta de um marco regulatório para a atividade é um entrave no desenvolvimento do sentimento de categoria profissional. E esse aspecto acaba por dificultar a valorização das escolas superiores de propaganda que, invariavelmente, enfrentam o desprezo do mercado.

Desprezo mútuo, porque também as escolas, a exceção das semanas de comunicação, evitam maiores envolvimentos com um universo de profissionais que não conhecem a academia, ignoram os conteúdos programáticos e menosprezam os que se dedicam ao trabalho de ensinar propaganda.

Isso provoca tremendas distorções. Assuntos que deveriam fazer parte da pauta da academia e problemas que afligem o dia a dia das empresas de comunicação são esquecidos em um acordo conveniente que cultiva uma estranha idéia de que nada supera o resultado de um bom trabalho.

É uma espécie de cultura da viabilização capaz de superar todo o debate acerca do modelo de negócio da propaganda brasileira e suas conseqüências, em prol do retorno do investimento do anunciante. Um simplismo que forja a divisão entre os supostamente modernos, alheios à discussão corporativa e os supostamente arcaicos, alheios ao desenvolvimento do produto.

Enquanto evitarmos o contraditório na academia estaremos fadados ao ostracismo da qualificação profissional.   O debate sobre o modelo da propaganda brasileira é imperativo para a formação do publicitário que encontrará um cenário completamente diferente do que existia quando foram estabelecidas as regras que orientam o negócio.

As platéias de jovens profissionais de propaganda adoram os cases de sucesso como se fossem frutos da ordem natural da equação dedicação, talento e sorte. Por isso, ao saírem das universidades superlotam os cursos de especialização à procura da profissionalização que, definitivamente, não é a vocação da academia.

A fórmula mais eficiente de profissionalização é a combinação harmoniosa entre a escola e o mercado. Isso não acontece com a propaganda brasileira, onde, há muito, não ocorrem experiências diferentes e relevantes que envolvam esses dois atores. A exceção é a Nova Batata, agência temporária, formada por estudantes, sob inspiração da NovaSB, que atendeu clientes localizados no Largo da Batata em Pinheiros, São Paulo.

Nessa iniciativa de extrema competência e sem as tradicionais afetações, ficaram maculadas as idéias da democracia dos medíocres e da ditadura dos resultados. Essa é a verdadeira fórmula do sucesso.

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Biografia

André Porto Alegre, jornalista e publicitário, membro do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva da APP - Associação dos Profissionais de Propaganda, Conselheiro do CONAR - Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, Conselheiro do FAC - Fórum do Audiovisual e Cinema. Foi Diretor Comercial da Mobz S.A., Circuito Digital S.A. e Promocine, empresas operadoras de mídia cinema. Vencedor do Prêmio MaxiMidia em 2004 e 2007 pelo Melhor Uso da Mídia Cinema. Trabalhou no jornal Folha de São Paulo, na Mauricio de Sousa Produções, no Grupo Young & Rubicam e na Ammiratti Puris Lintas. É professor dos cursos de MBA da Faculdade Rio Branco e FACCAMP.