ESTRATÉGIA ERRADA DÁ PREJUÍZO: QUE O DIGA AS CONSTRUTORAS BRASILEIRAS     

31 de julho de 2011

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O pior desempenho na Bolsa de Valores neste ano, entre os principais setores, foi o do mercado imobiliário, queda de 21%, em média. A alegação das incorporadoras é o aumento do custo das obras.

Tirando algumas empresas com problemas específicos de endividamento, como a Gafisa, que não conseguiu digerir as obras atrasadas da Tenda; e com honrosas exceções, como a JHSF, que apresentou resultado acima do esperado no 1º trimestre do ano, pode-se dizer que a rentabilidade das construtoras caiu.

Justificar esse desempenho ruim apenas com o alto custo das obras – matéria-prima e de mão-de-obra é ser muito simples.

O que vemos acompanhando, nos últimos anos, é uma corrida desenfreada das construtoras para crescimento em todo o Brasil, com compras e associações a construtoras locais; e em vários segmentos de mercado.

Construtoras que possuem experiência no segmento residencial de alto-padrão comprando mercado no segmento popular, onde claramente, não têm expertise, não conseguem realizar uma obra de baixo custo, não conseguem abrir mão dos processos de alto padrão construtivo e das matérias-primas de qualidade que desenvolveram ao longo de sua trajetória e que estão acostumadas a  trabalhar.

Construtoras com experiência nos segmentos industrial e comercial realizando incursões  no pulverizado e extremamente competitivo setor residencial; e que não conseguem concorrer em condições de igualdade com os milhares de “construtores-formiga”, pequenas empresas familiares que possuem um conhecimento superior no mercado local e que conseguem custos menores por possuírem sistema construtivos mais simples, por vezes, rudimentares.

A Cyrela, líder do mercado, tem grande participação nesse quadro em que se encontra o setor. A construtora adotou como estratégia a rápida expansão em todo o Brasil, com associações a diversas construtoras locais e não conseguiu controlar suas associadas – nem no desempenho e nem nos custos com compra de matérias-primas e contratação de pessoal. E como nesse país, todo mundo segue o líder sem questionar, a Cyrela teve sua equivocada estratégia copiada rapidamente por outras grandes e importantes construtoras.

Como terceirizar não é sinônimo de perder o controle, e infelizmente esta é uma lição ainda difícil para as empresas brasileiras, percebemos os resultados nas duas pontas: clientes insatisfeitos com o prazo de entrega e a qualidade de seus imóveis, e o setor é um dos campões de reclamações no Procon. E na outra ponta, acionistas profundamente incomodados, segurando um papel que vale menos.

Caso essas construtoras estivessem se utilizando de Inteligência de Mercado, a Cyrela estaria monitorando suas primeiras aquisições e teria percebido mais cedo que não estavam gerando o resultado esperado. E a tempo de revertê-la.

E caso as outras construtoras do setor estivessem se utilizando de Inteligência Competitiva, teriam constatado que a estratégia da Cyrela estava equivocada e teriam se aproveitado disso para tirar sua participação de mercado. Desconfio que a JHSF acertou na estratégia, manteve-se em seu core business, focada, no mais puro estilo “menos é mais” e não por acaso, registrou uma alta em seus papéis de 41% neste ano.

Mas como a nossa cultura empresarial ainda é a de resultados rápidos no curtíssimo prazo, tudo é muito urgente, nossos executivos são pressionados para alcançarem super metas, resultados super rápidos, em todos os segmentos, em todo o território nacional, e com expansão internacional, etc, etc, o resultado, como já disse uma grande publicitária brasileira, é que depois a “pressa passa e a merda fica.”

Patricia Marra

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Biografia

Patricia Marra possui mais de 15 anos de experiência em Marketing, como executiva nas empresas Du Pont do Brasil, World Tennis, Monday e Banco Real; consultora no MadiaMundoMarketing, onde atendeu grandes empresas dos setores financeiro, de capitais, segurador, construbusiness, petróleo, tecnologia, alimentos, wellness, cosméticos e saúde. Atualmente conduz sua própria consultoria, a América Marketing, com atuação focada em Inteligência Competitiva e Planejamento Estratégico de Markeitng. É economista, tecnóloga em processamento de dados, pós-graduada em Comunicação com o Mercado pela ESPM; Madia Marketing Master pela Madia Marketing School - onde atualmente leciona o módulo de Inteligência Competitiva nos cursos Marketing Pleno e MMM. É palestrante e Marketing Expert do Prêmio Marketing Best.