A criatividade e a credibilidade do publicitário brasileiro     

11 de julho de 2011

1 Comentários

Terminou mais um festival de publicidade em Cannes, agora denominado festival de criatividade. Nele, o Brasil ganhou 68 leões em várias categorias, desde filmes publicitários até peças de revista, online, mídia, outdoor, rádio, campanhas integradas, promo e RP. Foi um recorde de leões para o Brasil e nos mostramos mais uma vez uma das melhores propagandas do mundo. Foi brasileira a Agência do Ano do festival, a Almap BBDO.

Nesta mesma semana, em que a criatividade brasileira confirma sua tradição e ganha muitos leões no mais importante festival de publicidade do mundo, saiu uma pesquisa internacional, feita por uma empresa de pesquisa alemã, a GFK (4ª maior do mundo no setor), que coloca a crebilidade do publicitário e do profissional de marketing (e também do jornalista) brasileiro acima da média de todos os outros 18 países pesquisados.

Na média dos 19 países cobertos pela pesquisa das 20 profissões com maior credibilidade, o publicitário ficou em penúltimo lugar. No Brasil, ficamos em oitavo, com apoio de 72% dos pesquisados e logo atrás de nossos colegas jornalistas, que dividem conosco o prazer de ter mais credibilidade aqui do que no resto do mundo. Os profissionais de marketing detém no mundo a 15ª posição e no Brasil sobem ao 11º lugar.

No caso particular dos publicitários e dos profissionais de marketing, creio que esta visão tem muito a ver com o jeito que o brasileiro encara a nossa propaganda e sua linguagem bem brasileira.

O consumidor brasileiro gosta de propaganda. Adora a propaganda criativa, a boa piada, o bordão, comenta no trabalho um bom comercial com e mesma ênfase do gol de placa ou do capítulo da novela. Um spot de rádio criativo empolga tanto quanto a música boa, uma intervenção em um site encanta tanto quanto o site em si. Ou até mais.

Sempre ouvi, e muitas vezes em tom de crítica, que o publicitário brasileiro é muito famoso, que em outros países não existem um Washington, um Nizan um  Julio Ribeiro, um Marcelo Serpa ou um Fabio Fernandes – e na verdade eu nunca entendi o tom de crítica muitas vezes embutido nesta afirmação.

O publicitário em outras partes do mundo muitas vezes é visto como um agente mercantilista da exploração capitalista, ou como um agente estimulador do consumismo desenfreado, da compra daquilo que o consumidor não precisava até ver uma campanha que mostra um problema que ele nem sabia que tinha e apresenta a solução.

O brasileiro não nos vê e nem o nosso produto, assim. Ele vê a boa propaganda como um agente do humor, da emoção, e da venda honesta e clara. Uma pena que o nível de nossa propaganda não é mais uniforme, não é nivelado mais por cima, e a gente tem um monte de publicidade ruim, irritante, sem graça.

Porque se apenas 5% de nossa propaganda é criativa e de alto nível, imagine se este número subisse um pouco, vamos dizer, para 15%.

Se 15% de nossos filmes publicitários, anúncios de jornal e revista, spots de radio, banneres e ações de rua fossem criativos, a nossa credibilidade subiria ao top 10 nesta pesquisa ou quem sabe até no top 5, logo atrás dos bombeiros, carteiros e dos professores.

Esta é uma missão para todos nós, profissionais de marketing e publicitários. Vamos lutar para aumentar ainda mais a nossa credibilidade junto ao público em geral subindo a media de qualidade da nossa propaganda. Temos no Brasil a melhor TV do mundo, os melhores jornais, algumas das melhores revistas e somos muito bons na internet. Temos, já há algumas décadas uma das melhores propagandas do mundo, não só em festivais mas na vida real, no dia-a-dia. Agora, vamos trabalhar para ter a melhor propaganda do mundo.

Se os politicos fossem neste mesmo caminho, talvez pudessem sair do ultimo lugar da lista, tanto no Brasil quanto no exterior. Mas aí é outro artigo.

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1 Comentário

  1. Grande Gustavo. Muito bem pensado: "Porque se apenas 5% de nossa propaganda é criativa e de alto nível, imagine se este número subisse um pouco, vamos dizer, para 15%.".
    Temos que trabalhar muito pra mudar a cabeça do "cara que está pagando pelo trabalho"…

    Comentário by Cylo Toledo — 12 de julho de 2011 @ 12:12

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Biografia

Gustavo Bastos Sócio e Diretor de Criação da 11|21 gustavobastos@onzevinteum.com.br Twitter: @GustavoBastos Gustavo Bastos é carioca, pai da Clara, do João e da Júlia, marido da Alessandra, foi redator na Salles, MPM, Artplan e VS, diretor de Criação na DPZ, JWThompson, GR3 e 100%Propaganda, foi roterista e consultor de criação da Rede Globo, foi Publicitário do Ano duas vezes, finalista do Caboré uma vez, Presidente do CCRJ e é premiado nos principais festivais do Brasil e do mundo.