Além dos números
8 de julho de 2011
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“Não trabalho para ganhar dinheiro.
Ganho dinheiro com o meu trabalho.”
(J. R. Duran)
Você ingressa em uma empresa e já tem que fornecer o número do CPF, RG e PIS.
Entregam a você um crachá numerado, um ramal direto e sua posição relativa na estrutura hierárquica. De embrulho, normas de conduta e metas para serem atingidas.
O tempo passa e seu entusiasmo vai se dissipando. A palavra “entusiasmo” vem do grego enthousiasmós e significa “êxtase”. Os antigos a usavam para representar também arrebatamento e inspiração divina. Numa tradução literal, “ter Deus dentro de si”. É por isso que, quando perdemos o entusiasmo, perdemos tudo.
Você olha pela janela e enxerga uma legião de ambulantes pela rua. Gente trabalhando na informalidade, vendendo todo tipo de quinquilharias de procedência questionável, à espera de um cliente – ou de uma batida da fiscalização.
Os jornais revelam elevação na taxa de desemprego e redução do número de carteiras de trabalho assinadas. A Economia está retraída. Os juros, na estratosfera. A inflação parece controlada só nos índices divulgados pelos institutos de pesquisa, porque a cada semana você tem a impressão, ou a certeza, de comprar menos com a mesma quantia.
Números. Números preocupantes que prenunciam a insegurança e, não raro, a desesperança.
Você encontra um colega de infância. Formou-se em Engenharia, mas hoje comanda um quiosque de sucos naturais. Ele comenta com orgulho: “Sou o engenheiro que virou suco”. Outro conhecido, advogado bem conceituado, desfila melodias nas noites, nebulosas ou estreladas, a partir de seu saxofone. “Ganho menos, mas sou feliz”, garante.
Todos precisamos de trabalho para atender às necessidades mais básicas. Quando aprendemos a gostar do que fazemos e nos identificamos com nossa atividade, podemos buscar o aprimoramento, tornando-nos profissionais e construindo uma carreira. Mas só aquele que ouve o “chamado”, ou seja, sua vocação, chega à autorrealização, cumprindo sua missão de vida.
Quando você atinge este estágio, números tornam-se apenas… números. O quanto você ganha passa a ser uma consequência. O quanto você trabalha passa a ser irrelevante. A criatividade floresce, o estresse não encontra morada, a autoestima é permanentemente alimentada. Você não executa, realiza. A segunda-feira tem sabor de happy hour. Trabalhar vira uma grande curtição!
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Biografia
Tom Coelho, com formação em Publicidade pela ESPM e Economia pela USP, tem especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela USP. É mestre em Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente pelo Senac.
Foi executivo de empresas dos setores de transporte de cargas e exportação de café entre 1989 e 1993 e empresário no setor metalúrgico e de construção civil por onze anos. Ex-secretário geral do IQB (Instituto da Qualidade do Brinquedo), órgão vinculado ao INMETRO, foi o artífice da elaboração da NBR-14350/99, norma brasileira de segurança para brinquedos de playground. Também foi diretor eleito do Simb (Sindicato das Indústrias de Brinquedos do Estado de São Paulo), vinculado à Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos) no período compreendido entre 1998 e 2004 e vice-presidente de negócios da AAPSA (Associação Paulista de Gestores de Pessoas) entre 2007 e 2009.
Atualmente é professor em cursos de pós-graduação, conferencista e escritor com artigos publicados regularmente por mais de 700 veículos da mídia impressa e digital, inclusive na Argentina, Bolívia, Uruguai, Chile, Venezuela, Colômbia, Panamá, México, Estados Unidos, Cabo Verde, Portugal, Espanha, Inglaterra e Japão.
É autor do livro “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, publicado em 2008 pela editora Saraiva, e coautor dos livros “Roda Mundo, Roda-Gigante”, antologia internacional publicada em 2004, 2005 e 2006, e “Gigantes das Vendas”, obra reunindo os 50 maiores nomes do Brasil sobre o tema, publicado em 2006.
Ministra palestras com temas que transitam de qualidade de vida e segurança no trabalho, passando por marketing e empreendedorismo, até responsabilidade social e educação. Foi avaliado como o 2º melhor palestrante entre os 56 conferencistas presentes no Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento.
Acumula, ainda, os cargos de diretor da Lyrix Desenvolvimento Humano, diretor estadual do NJE (Núcleo de Jovens Empreendedores), vinculado ao Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e fundador-conselheiro da ONG Projeto Viva.
Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
Muito bom Tom e oportuno! Hoje sou corretor de imóveis, entre outras coisas, mas sempre vendendo alguma coisa ou idéia. Enfim, recuperei a alegria de criança, amesma alegria de quando aos 7 anos de idade vendia cobre no ferro velho iou aios 9 anos tomava conta de carros no Morumbi, nos jogos que lotavam e tomava conta dos carros em frente de minha casa. Depois de passar por "Grandes" empresas, fazer faculdade e cursos na MAdia, palestras, etc…Chego a concluisão que o melhor é ser autonomo mesmo. Ou como diz o Cantor "Seu Jorge",:"Não terpatrão, não ser patrão, não andar de busão".
Comentário by Rogerio Marino — 11 de julho de 2011 @ 22:39