Cultura do curto prazo     

1 de julho de 2011

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“Os anos ensinam muitas coisas
que os dias jamais chegam a conhecer.”

(Ralph Waldo Emerson)

Um maço de cigarros, uma latinha de refrigerante, uns minutos a mais no celular. Pequenos gastos cotidianos de relevância nula em nosso orçamento pessoal. Por apresentarem baixo valor adicionado, são relegados à categoria das despesas fantasmas, que não controlamos e não contabilizamos.

Longe da pretensão de cultuar a privação aos pequenos prazeres e indulgências, o que nos chama a atenção é o caráter imediatista de nossa cultura, o desestímulo à poupança e a visão de curto prazo.

Estes pequenos dispêndios diários perfazem, ao final de um ano, valor suficiente para se realizar uma viagem, um curso de aprimoramento ou adquirir algum objeto de consumo desejado.

Ao analisarmos as oportunidades de trabalho em países como os Estados Unidos, observamos que o salário nominal ofertado é expresso em milhares de dólares por ano. Analogamente, o faturamento das empresas é informado sempre correspondendo ao ano fiscal anterior ou aos últimos doze meses. As taxas de juros são apresentadas em um percentual ao ano. Enfim, tudo conspira em favor de uma consciência de longo prazo.

Quando você raciocina com base num período de um ano, fica palpável planejar ao menos outros cinco. Você educa seu cérebro a pensar em “pacotes de tempo” maiores. Isso simplifica a tarefa de imaginar e redigir metas, colocando-as em prática, elevando sua probabilidade de êxito. Por outro lado, quando adotamos um padrão de tempo diário ou mensal, planejamento passa a ser uma atividade inoportuna: o mero período de um ano transforma-se em longo prazo, distante e intangível.

O conceito de planejamento estratégico, seja na vida pessoal ou no mundo corporativo, guarda uma associação intrínseca entre as palavras negócio, missão, valores e visão.

Somos movidos por visões, ou seja, desejos e expectativas de onde e como queremos estar num futuro próximo ou distante. Mas uma visão só é exequível se alinhada com uma percepção adequada de seu negócio de atuação. Qual é o seu negócio? Qual o maior benefício esperado pelas pessoas naquilo que você se propõe a realizar? Uma companhia aérea, por exemplo, não vende passagens, serviço de bordo ou conforto. Ela vende tempo. Um professor não vende aulas, conhecimento ou expectativa de diploma. Ele vende educação.

Dotado de visão e de senso de propósito, você pode construir uma missão, sua própria razão de existência, tendo seus valores pessoais como norteadores de sua conduta. E, assim, planejar seu futuro, quebrando o paradigma do curto prazo, que nos amordaça, nos turva e nos apequena.

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Biografia

Tom Coelho, com formação em Publicidade pela ESPM e Economia pela USP, tem especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela USP. É mestre em Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente pelo Senac. Foi executivo de empresas dos setores de transporte de cargas e exportação de café entre 1989 e 1993 e empresário no setor metalúrgico e de construção civil por onze anos. Ex-secretário geral do IQB (Instituto da Qualidade do Brinquedo), órgão vinculado ao INMETRO, foi o artífice da elaboração da NBR-14350/99, norma brasileira de segurança para brinquedos de playground. Também foi diretor eleito do Simb (Sindicato das Indústrias de Brinquedos do Estado de São Paulo), vinculado à Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos) no período compreendido entre 1998 e 2004 e vice-presidente de negócios da AAPSA (Associação Paulista de Gestores de Pessoas) entre 2007 e 2009. Atualmente é professor em cursos de pós-graduação, conferencista e escritor com artigos publicados regularmente por mais de 700 veículos da mídia impressa e digital, inclusive na Argentina, Bolívia, Uruguai, Chile, Venezuela, Colômbia, Panamá, México, Estados Unidos, Cabo Verde, Portugal, Espanha, Inglaterra e Japão. É autor do livro “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, publicado em 2008 pela editora Saraiva, e coautor dos livros “Roda Mundo, Roda-Gigante”, antologia internacional publicada em 2004, 2005 e 2006, e “Gigantes das Vendas”, obra reunindo os 50 maiores nomes do Brasil sobre o tema, publicado em 2006. Ministra palestras com temas que transitam de qualidade de vida e segurança no trabalho, passando por marketing e empreendedorismo, até responsabilidade social e educação. Foi avaliado como o 2º melhor palestrante entre os 56 conferencistas presentes no Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento. Acumula, ainda, os cargos de diretor da Lyrix Desenvolvimento Humano, diretor estadual do NJE (Núcleo de Jovens Empreendedores), vinculado ao Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e fundador-conselheiro da ONG Projeto Viva. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.