Os consumidores contemporâneos querem novas sensações em vez de novos produtos?     

20 de junho de 2011

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Sim, para os pesquisadores que estudam o comportamento do consumidor, o consumo hedonista está relacionado às necessidades de os consumidores usarem produtos, serviços e ideias no sentido de criar e desenvolver fantasias, gerar sentimentos por meio dos sentidos e obter excitação emocional. Este desejo por experiências hedonistas está diretamente relacionado à necessidade de se ter um nível elevado de estímulo. O marketing, sem dúvida gera esses estímulos entre as diferentes pessoas.

A inteligência da comunicação integrada é pautada no adequado planejamento desse relacionamento com os diversos públicos. Este planejamento de relacionamento e, portanto, de comunicação, requer uma dose excepcional de perspicácia e de sensibilidade para o entendimento desse novo consumidor que é exigente, rigoroso em suas críticas e que almeja desempenho e inovação constante por parte dos produtos, serviços e das empresas do mercado.

Somos milhões de internautas, ouvintes e telespectadores de televisão, usuários de celular, I Pods, leitores de jornal, revista e livros, ouvintes de rádio,  e usuários de DVD´s espalhados pelo mundo. Queremos interagir, contestar e nos relacionar. Somos milhões de consumidores de tantas outras atividades da vida tais como: entretenimento, relacionamento e compra de momentos prazerosos numa escala sem precedentes,  jamais  vista na história do homem.

São tão grandes as alternativas de acesso e de inclusão social nesse mundo globalizado que fica praticamente impossível mensurar tantos pontos de contatos que temos num único dia, com diferentes marcas, serviços e ideias do mercado. A diversificação das formas, dos meios de contato e das interações é tão dinâmica que o consumidor passa a ser mais seletivo em suas interações.

Hoje o consumidor não perde tempo e quer estar bem informado, integrado e com conhecimento dos assuntos de seu interesse e que estejam relacionados a uma necessidade existente desse individuo. Muitos teóricos de marketing relatam em suas pesquisas que o marketing não cria uma necessidade que não seja pré-existente. O marketing cria estímulos que vão aguçar e aflorar uma necessidade ou sanar um problema pré-existente por meio da compra de um produto, serviço ou idéia.

A cada dia que passa nos deparamos em nosso contexto de vida com a tão chamada mídia social,onde são postados vários blogs, filmes no You Tube, marketing viral e pessoas conectadas trocando ideias, sentimentos e valores. Em seus relacionamentos, sejam eles positivos e ou negativos, concretiza-se o processo de interpelação das pessoas com marcas,  serviços e ideias.  Ou seja, nada ficou tão complexo nesse mundo como a luta por mensuração de resultados e de produtividade de cada contato realizado no sentido de gerar vendas de produtos, serviços e ideias.

Sim, porque compramos ideias, pessoas, locais, serviços e produtos das diversas categorias de produtos/serviços existentes no mercado.  O mercado, por meio dos seus consumidores, opta por seguir religiões, ídolos, líderes, nichos de preferência sexual, estilo de música, estilo de vida, tipos de amigos, diferentes tribos e assuntos dos mais diversificados temas. São inúmeras as escolhas que fazemos todos os dias, todas as horas, em todos os minutos da vida, no sentido de pertencer e fazer parte de uma sociedade complexa, caótica e tão antagônica. Inúmeros paradigmas são quebrados todos os dias, no sentido de se “fazer presente” de pertencer e estar incluído nessa sociedade. Acabamos dando valor a certos modismos, portanto, “temporários”  que aparecem em certas situações que nos são impostas de acordo com cada papel que assumimos em nossas atividades. Na “análise do discurso” este processo é visto como um conjunto de máscaras assumidas pelo ser humano em sua luta constante para interagir junto ao meio ambiente e na sociedade a qual pertence. Do meu ponto de vista, considero este processo parte da enorme adaptabilidade que temos para aceitar o novo, para mudar e reagir. Chamo isto de motivação para vencer obstáculos e para entrar na era do novo, do diferente, de aceitar estilos de vida diferentes.

Desta forma, nunca é tarde para enfatizar as palavras do gênio Peter Drucker (1998) que afirma: o “marketing é primeiramente uma dimensão central do negócio inteiro. É o negócio como um todo visto do ponto de vista do seu resultado final, isto é, do ponto de vista do cliente”.

Aqui temos o retrato fiel e a demonstração cabal de que o consumidor está no poder, dita, regras, desejos, sentimentos e exige um relacionamento claro, transparente e ético em suas interações junto ao mercado.

Tenho lutado, em todos esses anos pela prática do exercício da comunicação integrada que é pautada na consolidação de conhecimento, no entendimento do contexto em que se vive e no encantamento do tal “consumidor exigente”

 Tento demonstrar a importância de se ter uma comunicação integrada pautada em planejamento com presença de produtos, serviços e ideias com qualidade de perfomance (funcionalidade) e, não menos importante, na capacidade e habilidade de interação por meio de um processo consistente de comunicação que retratata o básico do básico, que são os objetivos de marketing/comunicação, com posicionamento, estratégias, táticas, controle de budget e mensuração de resultados. Hoje as métricas são pré condição da direção, da correção dos desvios e da correta atuação das marcas perante seus consumidores e prospects.

No passado a televisão era detentora de mais de 95% de toda verba de comunicação e marketing utilizada na divulgação dos produtos, serviços, ideias e valores. Hoje, passados mais de trinta anos, deparamo-nos com um processo avassalador e galopante, de introdução de novas formas e maneiras de interação. As novas formas midiáticas de interação, com os diferentes públicos, chegam ao ponto alucinante de encantar os diversos consumidores pela nova versão do I-PHONE 4. Em segundos, o sonho de consumo de grande parte dos seres deste planeta, vira uma realidade de posse, de status, de interatividade, de mobilidade e de poder.

Tal interesse se deve ao fato de que queremos ser vistos e lembramos por tudo aquilo que temos e não só por tudo o que somos!

É a sociedade que valoriza imensamente o prazer por meio dos bens materiais conquistados. A sociedade chama a atenção por ser vista e lembrada por meio de um consumidor novo e globalizado, “bombardeado” por excesso de comerciais na /TV, rádio, jornal, revista, mala direta, seminários, palestras, mega shows,  publicações, Blog, Twitter , Orkut, Facebook  e tudo mais.

Queremos consolidar para o novo consumidor uma maneira inovadora e criativa de interação e relacionamento pautada na conexão com pessoas, lugares, serviços e marcas (produtos) que traga status, poder,  sofisticação e autoridade.

Não culpo a sociedade e nem a evolução cientifica por tudo isto, culpo a nós mesmos os consumidores, que não colocarmos limites para o nosso tempo, para  as nossas necessidades, nossas interações e  os nossos desejos.

Tudo se torna tão complexo que chegamos ao ponto, de vermos um do profissional de mercado não conseguir participar de um seminário, uma aula ou uma reunião sem acessar seu Smart Phone, seu celular, seu I-Pad… “relação esquisita”…. existem pessoas  que não conseguem dormir pela fobia louca de estarem conectados com tudo, todos e a toda hora em todos os momentos e em todos os lugares. Este novo ser humano não se permite ter o direito de parar, respirar e ter tranquilidade para pensar.

E o que dizer dos milhões de consumidores que estão fora do círculo de alcance destas novas ações?

A África por exemplo, colonizada até os anos 1960/1970 pelas potências européias, descolonizada nas décadas seguintes por sucessivos movimentos emancipatórios e, no dizer dos historiadores atuais, é hoje “recolonizada” pela falta de pertencimento ao mercado internacional e a seus produtos de circulação constante e rápida, acima de qualquer bandeira ou nacionalidade.

Estar fora do círculo de alguma coisa ou bem é o novo modo de se definir a exclusão na sociedade contemporânea: o homem que está fora do círculo do emprego formal, da educação de qualidade, da posse dos bens considerados indispensáveis, dos produtos considerados essenciais em determinado espaço e tempo, além do domínio de alguns conceitos que definem o zeitgeist de uma época é aquele que consideramos o excluído por excelência na nova acepção da palavra, a partir dos anos 1990.

Aqui faço uma reflexão positiva. Não sou, em nenhum momento, contra as novas tecnologias, muito pelo contrário, sou adepta a tudo que vem para mudar e que gere o relacionamento e a interação entre os seres humanos.  Sou preocupada com gente, com o seu contexto e sua com a sua evolução. Só faço um momento de pausa para alertar que devemos usar as novas tecnologias a nosso favor. Temos que nos permitir o direito de pensar em nós mesmos e nas circunstâncias em que vivemos. Cito o como exemplo, este artigo que foi fruto de “estimulo” de uma conversa com um dos maiores incentivadores da divulgação do marketing/comunicação e uma das grandes autoridades no exercício de divulgar as boas práticas do mercado por meio dos meios de comunicação de sua editora, o Sr. Armando Ferrentini. Foi uma oportunidade de mercado de “beber na fonte da sabedoria e trocar ideias desse mercado encantador e apaixonante que é o marketing e a comunicação. É comunicação pessoal, presencial e interativa que gera questionamentos, interação e consenso. O Armando Ferrentini, junto com outros parceiros e propulsores do mercado, ama o ofício do marketing assim como eu, que sou apaixonada pela comunicação integrada de marketing, que consolida e possibilita o processo de relacionamento e interação de “gente” com as diferentes marcas, serviços e ideias do mercado. Sou  “incondicionalmente a favor” da tecnologia, da evolução das novas mídias sociais, mas sou contra a falta de equilíbrio entre o “bom senso” e a noção de limite que devemos nos impor em cada contato realizado.

Hoje, tudo se resume em três preciosas palavras relacionamento, conteúdo e conhecimento.Esta interação faz parte do processo complexo de relacionamento entre marcas e pessoas, “pensantes” que possibilita o sentido de” pertencer” ao meio social em que vivemos.  Claro que existe o objetivo de conquistar e fidelizar clientes, mas a transação ou ativação comercial só será concretizada com a existência da transparência, da ética, da honestidade, da interação e do relacionamento. Sem dúvida, a comunicação integrada é uma inteligência estratégica da empresas que possibilita o relacionamento, a interação e  a difusão do conhecimento.

Nunca foi vista, em toda a história da humanidade, uma tamanha vontade de pertencer ao mundo das informações de forma interativa, rápida e imediata.  O objetivo maior é a conquista da atenção, do interesse, do desejo e do consumo de marcas consagradas ou aquelas que estejam ainda no estágio de conquista de seus prospectivos.

Não se fala outra coisa a não ser seguir bons exemplos, ética, justiça e porque não dizer seguir a nova tônica de interação das pessoas que se fazem presentes por meio das mídias sociais. A sociedade não aceita mais a posição de ouvinte passivo, sem interação e sem troca de ideias e conhecimento.

Trabalhamos num mercado complexo, globalizado, crítico e ávido por interação, daí a razão de tanta participação da sociedade contestadora que luta e exige soluções factíveis de serem implementadas. Sim, por que em todas as definições que vemos no mercado sobre marketing, todas retratam a mesma função de desenvolver produtos, serviços e ideias que solucionem problemas ou que atendam as diferentes necessidades de cada consumidor.

Para finalizar, menciono uma das citações do mestre Kotler, (2000) “desejos são a forma que as necessidades humanas assumem quando são particularizadas por determinada cultura e pela personalidade do indivíduo”.

Observamos as empresas gastarem milhões em belas campanhas de propaganda na TV e quando o consumidor chega ao ponto de venda, é mal atendido por um vendedor sem preparo e sem a menor visão de encantar por meio do relacionamento e de um atendimento personalizado, profissional e que encante o consumidor. Afinal de contas, é a comunicação integrada que interage na venda pessoal que o próprio nome traduz – venda de pessoa- a- pessoa, contato direto e pessoal. Este sem dúvida é vital.

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1 Comentário

  1. Katia,

    Parabéns pelo excelente texto, com certeza muito inspirador!

    Comentário by Meiry Montalvao — 27 de junho de 2011 @ 15:54

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Biografia

Kátia Martins Valente, 33 anos de experiência como executiva de comunicação e marketing tendo atuado nas empresas: McDonald´s, Du Pont, Philip Morris/Kraft Suchard, Boehringer De Angelis, Cyrela, Secovi, CIEE e agências de comunicação - Thompson, Lintas e Y&R. Atualmente é sócia e diretora da K2Marketing e Comunicações exercendo consultoria de comunicação e marketing. Ministra cursos In Company é palestrante e escreve artigos para a área de comunicação integrada. Formação Acadêmica: Graduada em Comunicação Social – publicidade e propaganda pela Faap, pós- graduação pela FGV em Administração de Marketing e mestre em comunicação pela Universidade Mackenzie. Exerce atividades Acadêmicas em cursos de pós-graduação. É professora de pós-graduação da FGV nos cursos MBA e MBC. Professora dos cursos de pós-graduação da ESPM, Madia Mundo Marketing, FAAP e Instituto Mauá de Engenharia. Co-autora do livro “ Marketing Aplicado” – Cases e exemplos para profissionais de marketing, editora Saint Paul, 2008 (288 páginas) Co- autora do livro “100 dúvidas de marketing” editora Saint Paul, 2007 (359 páginas) Site: www.k2marketing.com.br