Missionários digitais levam empresas a ganhar dinheiro e fortalecer marca no espaço web     

18 de março de 2010

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Uma certa tendência de converter colaboradores em representantes da companhia nas redes de relacionamento deve chegar com força ao Brasil. Ao invés de proibir ostensivamente a utilização dos diversos recursos da internet – as chamadas redes sociais de relacionamento (MSN, Orkut, Facebook e Twitter, entre outros), empresas terão muito a ganhar – inclusive financeiramente – se transformarem os seus colaboradores em verdadeiros representantes de sua marca e seus produtos no mundo digital. Este fenômeno é uma tendência entre as empresas que melhor se relacionam nas redes sociais mundo afora e, entre os estudiosos, o conceito já recebeu o apelido de “missionários digitais”, termo que designa funcionários que, ao atuarem nestas redes, acabam por fortalecer a percepção das marcas e até promover negócios via internet.

A empresa norte-americana de processadores Intel largou na frente , inclusive publicando em seu portal corporativo uma política que sugere diretrizes sobre como os colaboradores da companhia devem se portar nas redes sociais, caso queiram se manifestar sobre a organização. A política está disponível na versão brasileira do site da companhia (www.intel.com.br) . A Intel desenvolveu este arcabouço de orientações de forma humana e informal, de maneira que consegue chegar a todos com muita clareza, com muita transparência, sem confundi-lo.

Tornar um funcionário um missionário digital é uma tendência que em muito breve veremos com freqüência no Brasil e no mundo. Entre outros fatores positivos, a companhia se vale de um profissional que está mais próximo do cliente final da empresa e, portanto, tem com ele contato direto, afinidade e agilidade no relacionamento. Vale lembrar o case da Zappos (www.zappos.com), uma empresa online de venda de calçados. Por ter nascido digital, a alta direção da Zappos acreditou ser natural que seus funcionários se valessem de canais como o Twitter e Facebook para se aproximarem dos consumidores com liberdade, evangelizar pela empresa e incorporarem a transparência corporativa como característica fundamental. O resultado não poderia ser melhor: a empresa comemora um faturamento anual da ordem de US$ 1 bilhão.  A Zappos se tornou um case bem-sucedido porque conseguiu criar uma cultura interna de felicidade entre seus colaboradores e, ao mesmo tempo, exigir deles o comprometimento com um serviço acima da média. A grande sacada foi conseguir naturalmente que seus colaboradores trouxessem essa cultura para a web, e os resultados financeiros da empresa aconteceram sem grandes investimentos em publicidade.

No Brasil, é possível dizer que esta tendência ainda caminha devagar, com a maioria das empresas proibindo o acesso a redes como Twitter, MSN e Facebook durante o expediente e monitorando a atuação, inclusive pessoal de seus funcionários em redes sociais. Possivelmente, esta postura está com os dias contadas, uma vez que o avanço tecnológico, os hábitos da geração mais jovem e o baixo custo da comunicação via web devem promover mudanças – inclusive de modelos de negócios – na maior parte das empresas.

Vencerão a guerra no espaço web as marcas que conseguirem se humanizar a seus consumidores. Ao tornar seus colaboradores missionários da marca, as empresas nada mais estão fazendo do que humanizando o seu relacionamento, pois muitos deles são pessoas que têm muita influência em comunidades online. Com este processo, as marcas acabam por se valer ou absorver a reputação do próprio missionário e com isso pode segmentar seus públicos, fortalecer a reputação, testar novos produtos, reduzir o risco de novas campanhas publicitárias, conquistar e antecipar novos clientes, entre outros. Também é preciso listar as empresas Ford (montadora norte-americana de automóveis), BestBuy (varejista de produtos eletrônicos), e a Sun (softwares) como bons exemplos de companhias que já tornaram seus funcionários – ou parte deles – em verdadeiros missionários digitais.

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Biografia

Gabriel Rossi é estrategista de marketing na internet, profissional focado na construção e gerenciamento de marcas e reputação na era digital, ediretor-fundador da Gabriel Rossi Consultoria. É considerado autoridade e um dos principais formadores de opinião do Brasil sobre o assunto, com passagens por instituições como Syracuse/Aberje, Madia Marketing School, University of London e Bell School. Além de escrever e ser citado extensivamente sobre o tema, sendo colunista de portais como Mundo do Marketing e Imasters, possui artigos publicados no O Estado de São Paulo, HSM e colabora com veículos como TV Globo, Bandnews TV, Folha de São Paulo, Jornal O Globo, Revista Veja, Jornal do Comércio, rádio CBN, EcoDesenvolvimento, TV OAB, Nós da Comunicação, Correio Popular de Campinas, entre diversos outros. Rossi já trabalhou e aconselhou candidatos ao Senado e participou de momentos históricos importantes, sendo comentarista especial da TV Estadão no primeiro e segundo comentarista oficial durante toda a posse da presidente Dilma Rousseff para a rádio Eldorado. Leciona cursos na Madia Marketing School, na ESPM e ministra palestras, com participação em eventos de grandes segmentos como o Fitness Brasil e atuando, por exemplo, como keynote em conferências de prestígio internacional como a ExpoSystems (congresso e exposição para feiras e eventos) em São Paulo. Também palestra no Universo do Conhecimento, fórum de cultura contemporânea que tem entre seus colaboradores o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os filósofos Yves Michaud, Edgar Morin e Robert Castel.