A chamada do trailer do filme Rede Social – que retrata a criação e sucesso do Facebook é emblemática. “Impossível ter 500 milhões de amigos sem ganhar alguns inimigos”. Ao que tudo indica a estagiária Mayara inverteu a ordem ganhando milhões de inimigos ao postar insanidades no Twitter e no Facebook.
Nesse recém episódio xenófobo, no qual a moça dispara impropriedades aos seus irmãos nordestinos, a Pátria mãe se ressente. Dispensada do escritório de advocacia onde estagiava em momento digno de olho eletrônico (não sabemos se imediatamente antes ou imediatamente depois do feito), encontra-se a jovem universitária em palpos de aranha. Afinal das contas, cometeu erro flagrante.
Mas ela não é única. E não permanece solitária. Amanhã teremos novo escândalo – é só aguardar para ver.
O próprio MEC também postou uma pérola no domingo: “Alunos que já ‘dançaram’ no ENEM tentam tumultuar com msgs nas redes sociais. Estão sendo monitorados e acompanhados. Inep pode processá-los.”
Não sabemos se foi pelos dedos de outro estagiário, mas o MEC bebe de seu próprio veneno. Em outras paradas, quem ‘dançaria’ de imediato seria o próprio ministro.
Na WEB 2.0 somos agentes e participantes. É quase impossível alguém resistir a permanecer tão somente como espectador. E deslizes acontecem aos montes! Para falar bobagem basta abrir a boca. Ou se entusiasmar com seu IPhone. Quem ainda não postou uma bobagem que atire a primeira pedra.
O que dificilmente vamos entender e muito menos conseguiremos prever, é a dimensão de um tropeço nas redes sociais. Tudo que é postado tem enorme potencial para incendiar uma floresta – para o bem ou para mal. Impossível exercer controle sobre a sua repercussão.
Podemos até invocar a lei de Murphy: naquilo que gostaríamos que gerasse um ‘buzz’ seu alcance é pífio; mas no que gostaríamos de uma segunda chance, para reparar ou apagar, se espalha aos quatro cantos com força incalculável.
Mas a lição que fica, é que precisamos usar o que recomendamos a quem comete deslizes: serenidade. Assim, quando alguém erra com um ato para lá de tresloucado – seja pelo que disse ou pelo que postou – há que se ter equilíbrio nas reações dentro da grande praça que é a WEB, evitando julgamento (e veredito) apressado. E o mais importante: dar oportunidade para se reparar o erro.
O que a Sociedade não pode fazer é promover um “mega bullying” contra uma jovem que cometeu um erro. Esse tipo de linchamento transmidiático pega muito mal. Está na hora de promovermos mais civilidade e menos espetáculos.
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