*Por Fernando Adas

“Há flores cobrindo o telhado
Embaixo do meu travesseiro…
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo…
As flores de plástico não morrem…”
(Flores – Titãs)
Os Titãs nos lembram de que a primavera começa agora, em setembro, e com ela, voltamos a falar das flores e a torcer para que haja flores cobrindo o telhado, embaixo do travesseiro. Flores por todos os lados, em tudo que vermos.
Flores sempre são um ótimo instrumento para o início de uma relação. Levar flores a um primeiro encontro ou enviá-las no dia seguinte. Flores para o nascimento de uma criança ou no velório de um amigo. Flores magnetizam. Encantam. Seduzem. Poupam-nos de palavras que muitas vezes não saem ou não existem.
Um outro trecho da música nos lembra de que “as flores de plástico não morrem…”. E se são menos sedutoras que as naturais, são mais práticas que estas. Toda vez que se fala em plástico, lembra-se de cartões, de crédito, de débito, de relacionamento, de fidelidade. Há cartões por todos os lados, em tudo que eu vejo.
Cartões hoje assumiram a função de flores. Tão logo se inicie uma relacão comercial, já somos convidados a ter o cartão. Às vezes, nem a primeira compra fizemos e recebemos o cartão, embaixo do travesseiro ou da porta. A industria de cartões é ávida por iniciar a relação brindando consumidores com produtos que nem sempre são adequados a eles.
Quantos cartões você mantêm guardados?
Os mais imediatos são os de crédito. OK, há sentido em mantê-los com datas de vencimento distintas e que facilitam a planilha de pagamentos e nos dão prazos a custo zero. São cartões vivos, flores naturais alimentadas e colhidas mensalmente.
E os cartões de loja, os private label aceitos exclusivamente em determinado estabelecimento. Como eles não morrem, ficam guardados, reservados para um momento especial que nunca chega, por culpa total e exclusiva da loja que o ofereceu. São as flores de plástico.
Muitas empresas nos pedem ajuda para ações de desbloqueio de seus cartões. Querem entender os motivos pelos quais os clientes não se motivam a usá-los. Percebemos que os motivos seguem a seguinte escala de ocorrências:
- Não reconhecem os benefícios concretos: 39%
- Não apresentam frequencia regular de uso: 28%
- Não mantêm vínculos regulares com a loja: 19%
- Perderam o cartão: 8%
- Não receberam o cartão: 6%
Será que os private label encontraram a sua vocação capaz de segmentá-los e posicioná-los corretamente em relação aos cartões de uso geral?
Cartões assemelham-se a flores mas devem adotar a vida e o frescor das espécies naturais. Para isso, precisam alimentar-se com informações vindas dos clientes e devolver a esses, aromas e cores traduzidas em benefícios reais passíveis de serem degustados.
Os Titãs ainda nos lembram que chorou por ter despedaçado as flores que estavam no canteiro. Que a Primavera semeie nosso jardim com novos clientes, mas não despedace os atuais, que floresceram nas estaçoes passadas e esperam um tratamento especial e personalizado.
*Fernando Adas é diretor de atendimento e planejamento da Fine Marketing. Artigo publicado no Portal CardNews. E-mail: fernando@fmarketing.com.br – The Fine Blog: www.fmarketing.com.br/blog