O declínio das Lojas de R$ 1,99.     

28 de setembro de 2010

4 Comentários

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Olá amigos,

Neste meu texto, eu vou comentar sobre um tema delicado, que é a evolução do varejo e do próprio consumidor.

Convido vocês a voltarem no tempo comigo, para a metade da década de 90.

Um modelo promissor de negócios se estabelecia e causava curiosidade, despertava o interesse do consumidor e se mostrava um exemplo de negócio incrível para o varejo.

Alguns dos nossos leitores já começam a imaginar qual é o negócio que estou tentando contar, correto?

Para quem não se recorda, esse modelo moderno de negócio eram as Lojas de R$ 1,99.

Foi realmente um grande “boom” no varejo. A chegada dessas lojas causou um reboliço no mercado.

Começou em grandes capitais e se espalhou para o interior como uma epidemia.

Os varejistas tradicionais se sentiram ameaçados, as novas lojas estavam sempre movimentadas, lotadas, elas eram as sensações dos bairros.

Jovens, adultos, crianças, senhoras, todo perfil de consumidor era encontrado comprando nessas lojas, muitas passavam um grande tempo olhando os produtos, se espantando com o preço e com a “qualidade razoável”, que os produtos com preço baixo ofereciam.

As lojas eram dividas por diversas prateleiras, super coloridas, excesso de produtos, todo tipo de produto, de isqueiro até guarda-chuva, potes de todos os tamanhos, xícara de café e por ai vai.

Outro detalhe que não podemos esquecer eram os animadores ou anunciantes, que ficavam em frente à loja, convidando os consumidores a entrar e experimentar os produtos. Muitos desses animadores usavam roupas coloridas ou então se fantasiavam de palhaços, um grande sucesso.

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Pois é, os anos foram passando o R$ 1,99 acabou virando R$ 5,99, R$ 8,99, produtos chineses de péssima qualidade invadiram quase que totalmente essas lojas, os animadores das lojas foram sumindo, os consumidores também, os defeitos dessas lojas foram ficando mais nítidos, e o modelo ideal de loja caiu por terra.

De repente a imensa quantidade de loja foi se restringindo a 1 ou 2 por cidade, muitas cidades pequenas perderam a única que tinha, e o R$ 1,99 foi caindo no esquecimento.

A pergunta que eu faço leitor é a seguinte:

“O que pode ter havido com essas lojas?”

A resposta também é simples…as lojas eram as mesmas, mas o consumidor mudou, e mudou muito em bem pouco tempo.

O consumidor foi o vilão dessas lojas. Este ser pensante, se transformou com o passar dos anos, ganhou força, inteligência, aumentou sua renda, mudou de classe social, começou a entender o que é produto com valor agregado e ficou mais exigente.

Essa tal exigência foi demais para o R$ 1,99.

Até a década de 90, o varejo tinha poucos espaços de bom nível. Em cidades de porte médio, para pequeno, nós contávamos nos dedos às lojas que realmente eram ótimas, poucas boas e muitas regulares/ruins.

O real se transformava em uma moeda forte, e nossa economia ainda patinava, mas isso mudou em menos de uma década.

O Brasil cresceu, seus consumidores também. Estes que viviam no jardim de infância, hoje se tornaram graduados na arte de comprar, escolher, entender a qualidade do produto e querer saber a origem desse item.

Já não é tão fácil arrancar dinheiro de um consumidor, por mais desatento que este pareça ser. O comparar faz parte da rotina do consumidor.

Os consumidores de baixa renda hoje em dia não são necessariamente atraídos por produtos de qualidade baixa ou inferior, eles também evoluíram, assim como as marcas mais simples.

As lojas que vendem de tudo, foram perdendo espaço para as lojas focadas, com uma linha só, mas bem explorada, isso acontece no segmento de roupas também, onde poucas lojas multimarcas ainda conseguem se destacar.

Se as lojas de R$ 1,99 tivessem nos bastidores profissionais de Marketing como consultores, alguma coisa poderia ter saído diferente, até porque como diz o mestre da matéria Philip Kotler no seu livro mais recente Marketing 3.0, os profissionais dessa área precisam se adiantar e proporcionar a transformação.

Poucas empresas foram criativas nesse mercado e conseguiram se diferenciar criando experiências de compra bacana ou prestando um serviço de relacionamento com o consumidor exemplar, apesar de estar muito próxima e conhecer muito de seus consumidores pelo nome.

O tempo passou e o declínio foi muito grande. Eu não vejo retorno para esse tipo de comércio, ocorreu um caminho sem volta, essas lojas perderam a credibilidade, uma ou outra ainda tenta se manter, mas geralmente é freqüentada por Senhoras de idade somente, que passam para comprar uma ou outra lembrancinha.

Esse exemplo serve de lição para os varejistas que ainda se encontram de pé e lutando em um mercado voraz.

Vocês precisam se reciclar, manter-se atualizado, ter alguém cuidando do seus Merchandising (exposição de produto), alguém que venha de fora, para pensar como criar um local diferenciado, uma experiência de compra incrível e impactante.

O preço deve ser avaliado constantemente, mas pode ser corrigido durante um processo de mudança, já layout da loja tem que ser preparado com muito cuidado.

Você que é proprietário, sempre se pergunte…como você gostaria de ser tratado como consumidor, e aplique ao seu negócio.

Você prefere inovar, adiantar-se as tendências, ouvir seu consumidor, ou ser uma loja de R$ 1,99, que mais parecia um picadeiro, e quando bateu um ventinho derrubou a lona e sobrou pouca coisa para contar história?

Pense nessa reflexão e comece a mudar ainda hoje.

Um grande abraço – Reinaldo Cirilo

twitter: @reinaldocirilo

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4 Comentários

  1. Acho um grande risco diminuir a variação da linha dos produtos vendidos na loja de 1,99 lembrando que cada setor de produto tem seu pico de faturamento no ano, causando um extra na media do faturamento destes. Como também uma defesa (fuga) em caso de um concorrente maior tentar cercar alguns itens de sua loja.Todos nós do ramo sabemos que é quase impossível fechar com fornecedores e vende-los pontualmente ao consumidor na totalidade da linha geral dos produtos,sempre à uma deficiência e ai que entramos mantendo um equilíbrio de sobrevivência com os maiores.bem como uma gama de fornecedores bem maior,entretanto sem fidelidade e responsabilidade com o lojista de 1,99.Os produtos estão melhorando a cada ano.Haja visto que são vendidos em grandes redes de lojas.O que falta é amadurecimento empresarial e a mentalidade que é só colocar na prateleira ou no chão que vende,ISSO ACABOU

    Comentário by JOAO — 18 de outubro de 2010 @ 16:45

  2. Apliquei uma verba no visual, na operacionalidade, funcionabilidade e o resultado foram mais do que esperado. A clientela aceitou o luxo de ar condicionado, televisão de LCD como indicativo de produtos, expositores em MF, prateleiras de vidros,vitrine de blindex, fotos de produtos.informativos sobre os direitos do cliente entre outros.parcelamento das compras como também a diversificação : papelaria,descartáveis,ferramentas,plásticos,vidros,louças,linha praia,brinquedos e muitos outros……

    Comentário by JOAO — 18 de outubro de 2010 @ 16:48

  3. Finalizando tenho vários conhecidos que na década de 90 e nos anos seguintes somente compraram imóveis e bens de consumo levando esse setor a estagnar na sua essência e amarguraram a decadência de seus conglomerados.O golpe de misericórdia nas lojas de 1,99 foi a prostituição dos grandes fornecedores e distribuidores com a meta de vender os produtos em qualquer estabelecimentos tanto na farmácia,loja de material de construção,mercado entre outros.Abrindo a venda direta para o consumidor final como um limite ínfimo do valor de compra do produto no atacado.Lembrando que as industrias nacionais esta produzindo na china, com isso fortalecendo a melhoria da Mao de obra chinesa e claro impondo um time internacional e custo destes produtos aos lojistas os quais ficaram descapitalizados para esses tipo de relacionamento levando a quebradeira dos pequenos e médios empresários do ramo

    Comentário by joao — 18 de outubro de 2010 @ 16:50

  4. Enfim vivo desse ramo a anos e sei que devemos priorizar a qualidade e apresentação do produto e as necessidades do cliente e seu poder financeiro.NAO VEJO O FIM DA LOJA DE 1,99 E SIM UM ENCOLHIMENTO DE AVENTUREIROS EM FAZER DINHEIRO FACIL COMO FOI NA DECADA DE 80 COM AS CONFECÇOES COMO SERA COM AS LOJAS DE INFORMATICA NESSA DECADA E………ABRAÇOS

    Comentário by joao — 18 de outubro de 2010 @ 16:51

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Biografia

Reinaldo Cirilo – é Profissional de Trade Marketing e Merchandising e blogueiro. Formado em Direito, se apaixonou pelo Marketing, fez especialização na Madia Marketing School, MBA Executivo em Marketing pelo INPG – Instituto Nacional de Pós-Graduação e cursos nas melhores escolas do Brasil. Como profissional atuou no Governo de São Paulo, e em laboratórios farmacêuticos multinacionais como: Abbott, Schering-Plough e MSD –Merck. Palestrante convidado das Universidades: ESAMC- Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação de Santos, SENAC/SP e IPEP Campinas. Fundador e responsável pelo Marketing Blog - www.marketingblog.com.br, um dos três melhores blogs de comunicação na categoria pessoal (Prêmio Top Blog 2009 - o mais importante do Brasil). Apaixonado por redes sociais, Merchandising, Marketing de Guerrilha, Marketing Viral e NeuroMarketing, tem o objetivo de dividir seu conhecimento e seus estudos com os amantes do Marketing. Pode ser encontrado no Twitter (@reinaldocirilo) ou @mktblog e também no e-mail reinaldo.cirilo@gmail.com Linkedin (Reinaldo Cirilo)