Ouvi por anos, talvez décadas, que a globalização era uma nova maneira de colonizar os países pobres, dittos de terceiro mundo, que era uma maneira de impor culturas, modos e tecnologias, mercadorias enfim, de países ricos para oa países pobres.
Em algum momento da hostória, isso foi verdade, mas por muito menos tempo do que previam os catastrofistas de plantão. A cultura global mostrou-se uma via de mão dupla em que os países que seriam os “invadidos” pela tecnologia e pela cultura do primeiro mundo – europa, Estados Unidos e Japão – começam a exportar tecnologia, modelos de negócio e soluções criativas em várias áreas.
Acabei de ler na revista Época Negócios sobre a “tecnologia frugal”, que nada mais é do que a nossa Simplicidade Criativa transposta ao mercado de tecnologia, design e engenharia.
Na India, por exemplo, como não há hospitais com atendimento neo-natal perto de aldeias do interior, um fabricante inventou um aparelho de ultra sonografia portátil, de mão, do tamanho de um smart phone. Esta invenção, criada para resolver um problema local de um país pobre, começou a ser exportada para os EUA e países da Europa para que consumidores possam ter em casa um aparelho portátil e fazer ultra na hora que quiser.
Acontecerá o mesmo com um tablet de cem dólares, com os carros mínimos, econômicos e híbridos, e com uma moto elétrica.
É o que a revista chama de “a vingança dos emergentes”. No mercado publicitário acontece algo parecido. Depois de anos ouvindo que o nosso modelo de negócio, baseado em agências com planejamento, criação e mídia – o circuito completo – era ultrapassado, países da Europa começam a se interessar em conhecer melhor a nossa maneira de trabalhar. O motivo é simples.
Com a diversidade de mídias cada vez maior, fica muito difícil pensar estrategicamente para uma marca com p planejamento e a criação de um lado da cidade e a mídia do outro.
Seria a vingança dos emergentes também na comunicação? O tempo dirá.