O estádio paulistano para 2104     

23 de agosto de 2010

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Por Fernando Trevisan*

A modernização do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, nos termos anunciados pela prefeitura paulistana, possibilitaria a sua plena utilização na Copa de 2014, inclusive para o jogo de abertura da mais importante competição do calendário esportivo internacional. O projeto prevê o rebaixamento do gramado e a construção de um anel suplementar de arquibancada, ampliando a capacidade dos atuais 40 mil para 65 mil pessoas. Obviamente, seriam preservados o Museu do Futebol e a fachada, tombada pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) e o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).

Essa parece ser a melhor solução para São Paulo, cuja ausência na realização de jogos e/ou cerimônias relevantes em 2014 é uma hipótese sequer a ser cogitada. Embora construído na década de 1940 e claramente desatualizado quanto às condições de conforto e visibilidade, o bom e velho Pacaembu tem importantes diferenciais: sua localização central, facilidade de acesso, proximidade da rede hoteleira e de um dos principais circuitos gastronômicos da cidade e infraestrutura de transportes coletivos (está a cerca de um quilômetro do terminal metrorrodoferroviário da Barra Funda).

Hoje, o mais paulistanos dos estádios, administrado pela Secretaria Municipal de Esportes, rende aos cofres públicos e à população, sua real proprietária, receitas muito menores do que poderiam ser aferidas. Sua reforma para a Copa do Mundo deixaria portanto, importante legado, ampliando seu uso e potencializando sua rentabilidade. Estariam resolvidos, assim, dois problemas: a prioridade de dotar São Paulo com um estádio adequado às exigências da Fifa; e a solução, sempre postergada, de modernizar o Pacaembu e potencializá-lo como espaço público e de eventos, evitando que se torne o “Coliseu paulistano”, como diz um amigo meu, referindo-se às ruínas da relíquia arquitetônica do Império Romano.

O mais interessante do projeto, avaliado em R$ 500 milhões, é a possibilidade de readequar o estádio para condições mais realistas após 2014: pessoas envolvidas no projeto afirmam que a capacidade poderia ser reduzida para algo em torno de 45 mil pessoas e as estruturas exigidas pela Fifa para hospitalidade seriam montadas na própria Praça Charles Miller e desmontadas em seguida.

O Pacaembu é uma legenda na história do futebol brasileiro. Foi inaugurado em 27 de abril de 1940, com a presença do então presidente da República, Getúlio Vargas, do governador-interventor Adhemar de Barros e do prefeito Prestes Maia. No dia seguinte, teve o seu primeiro jogo, no qual o Palestra Itália (Palmeiras) bateu o Coritiba por 6 a 2. O primeiro gol de sua história, porém, foi de Zequinha, atacante do time paranaense. O estádio já sediou eventos de grande porte, como a Copa do Mundo de 1950 e os Jogos Pan-americanos de 1963. Também foi palco para shows musicais de bandas como Rolling Stones e U2. Em maio de 2007, o Papa Bento 16 celebrou missa no local.

Além de solução arquitetônica e economicamente racional, evitando o desperdício de dinheiro público, a modernização do Pacaembu e sua utilização para a abertura da Copa de 2014 seriam justa homenagem àquele que lhe empresta o nome: o grande “Marechal da Vitória”, Paulo Machado de Carvalho, um dos protagonistas de nosso primeiro título mundial, conquistado em 1958, na Suécia, pelo futebol irresistível de Pelé, Garrincha, Didi, Vavá…

*Fernando Trevisan é presidente da Trevisan Gestão do Esporte.

E-mail: fernando.trevisan@trevisan.edu.br.

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